Setor industrial permanece em queda e tem 47,1 pontos em fevereiro, revela CNI

O índice varia de zero a 100 pontos, sendo 50 a linha de corte entre um cenário positivo e negativo

Sandra Manfrini, do Estadão Conteúdo
18 de março de 2021 às 11:21
Industria
Funcionário em indústria.
Foto: José Paulo Lacerda / Agência Brasil

 A produção industrial manteve a tendência de queda em fevereiro, como usual para esta época do ano. A Sondagem Industrial, divulgada nesta quinta-feira (18), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o indicador de evolução da produção ficou em 47,1 pontos no mês, ou seja, abaixo da linha divisória dos 50 pontos, o que reflete o movimento de queda disseminado entre as empresas, destaca a CNI. O índice varia de zero a 100 pontos, sendo 50 a linha de corte entre um cenário positivo e negativo.

Já com relação ao número de empregados, o indicador de evolução ficou mais próximo da linha divisória, atingindo 50,8 pontos. "Fevereiro de 2021 é o oitavo mês seguido que o indicador se mantém acima da linha divisória, demonstrando que a tendência de recuperação do emprego industrial se mantém, ainda que gradual", destaca a entidade.

Na comparação com o ano passado, a dinâmica de evolução da atividade industrial em fevereiro de 2021 é bem similar. No mesmo mês de 2020, o indicador de evolução da produção foi de 47,5 pontos e o da evolução de emprego de 50,4 pontos.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) de fevereiro foi de 69%, um ponto porcentual acima do registrado no mesmo mês de 2020. Segundo a CNI, "na percepção dos empresários, a atividade está tão desaquecida quanto estava há um ano". O indicador de UCI efetiva em comparação com a usual é de 44,9 pontos, abaixo da linha dos 50 pontos, nível que indica que a UCI efetiva está igual à usual para o mês. Na comparação com janeiro, o indicador de UCI efetiva em relação à usual teve queda de 1,8 ponto, indicando uma UCI mais aquém da esperada.

A pesquisa também aponta que, neste início do ano, os estoques estão bem mais baixos que em 2020, o que é resultado da crise gerada pela pandemia da covid-19. As empresas continuam com dificuldades de obtenção de insumos e matérias-primas e de atender a demanda. Os estoques de produtos finais estão abaixo do desejado desde maio.

"O movimento de redução dos estoques de produtos finais continua se arrefecendo, mas mesmo em um período de menor necessidade de estoques o nível efetivo continua abaixo do desejado. A indústria não está conseguindo levar os estoques para o nível desejado, provavelmente reflexo das dificuldades de conseguir insumos e matérias-primas", destaca a pesquisa.

Expectativas

A Sondagem mostra que, em janeiro e fevereiro deste ano, assim como em todo o primeiro trimestre de 2020, as expectativas dos empresários eram mais positivas que em março de 2021. "Com o aumento da incerteza e do risco de intensificação das medidas de isolamento social, os empresários reduziram o otimismo com relação a todas as variáveis investigadas", diz o documento da CNI.

A expectativa com relação à demanda para os próximos seis meses caiu de 57,9 pontos em fevereiro para 54,5 pontos em março. Em relação a março de 2020, o indicador apresenta queda de 4,3 pontos.

Esse movimento de queda também é observado nas expectativas de compras de matérias-primas, número de empregados e quantidade exportada. A queda no otimismo e o aumento da incerteza levaram as empresas a reduzirem a intenção de investimento. O indicador caiu de 58,3 pontos em fevereiro de 2021 para 55,8 pontos em março. "A queda de 2,5 pontos na comparação mensal é idêntica à observada na comparação com março de 2020. O movimento reflete o menor otimismo dos empresários neste ano na comparação com o ano passado, em um período imediatamente anterior à chegada da crise provocada pela pandemia de covid-19."

A Sondagem foi feita entre os dias 1º e 10 de março, com 1.735 empresas, sendo 704 de pequeno porte, 611 médio porte e 420 de grande porte.