Saiba como funcionam os clubes de milhas e se vale a pena para você

Tentam atrair os usuários com benefícios adicionais, como bônus na transferência de outros programas e dos pontos acumulados em viagens

Vinícius Casagrande, colaboração para o CNN Brasil Business
20 de março de 2021 às 05:00 | Atualizado 20 de março de 2021 às 08:54
Aeroporto, avião, passageiro, voo, viagem
Foto: Leonardo Miranda/Unsplash

Acumular milhas e pontos nos programas de fidelidade das companhias aéreas é a melhor forma de economizar na hora de viajar. O problema é que nem sempre o passageiro consegue acumular a quantidade necessária para a emissão do bilhete aéreo. Nesse caso, é possível emitir a passagem com parte em pontos e parte em dinheiro, ou então assinar um clube de milhas para acelerar o acúmulo de pontos.

Os principais programas de fidelidade de companhias aéreas e de cartões de crédito já contam com esse tipo de clube. Nele, o assinante paga uma mensalidade e recebe todos os meses uma determinada quantia de pontos em sua conta.

Mais do que acelerar o acúmulo de pontos com os créditos mensais, os clubes de milhas tentam atrair os usuários com benefícios adicionais, como bônus na transferência de outros programas e dos pontos acumulados em viagens, além de desconto no resgate de passagens e produtos ou até upgrade de categoria.

Valor por ponto é importante

O valor depende da quantidade de milhas mensais. No entanto, é preciso ficar atento não apenas ao valor final, mas principalmente à relação do custo por milha. No Plano 1.000 do Clube Smiles, programa da Gol, o valor mensal é de R$ 39,90. Cada ponto custa R$ 0,0399. Já no plano 10.000, o valor mensal sobe para R$ 284,05, mas o custo unitário de cada ponto cai para R$ 0,0284.

Para quem pretende juntar todos os pontos para uma viagem apenas com o que recebeu no clube de milhas, essa pode não ser uma opção vantajosa. Uma passagem de Brasília a Miami pela Smiles sai por 45.900 pontos para quem é assinante do Clube Smiles, o que seria equivalente a um investimento de R$ 1.306. O mesmo voo é vendido no site da própria Gol por R$ 1.203.

Bônus para assinantes

No entanto, o valor total dos pontos pode ser amortizado com as diversas promoções que os programas de fidelidade costumam fazer. As companhias aéreas e as empresas de cartões de crédito costumam fazer ações de pontos bônus. Quem for assinante de um clube de milhas ganha ainda mais pontos.

Uma promoção recente da Smiles dava 60% de bônus para transferência de pontos da Livelo. No entanto, se o usuário fosse assinante do clube Smiles, esse bônus subiria para 100%.

A portuguesa TAP fez uma ação recente em comemoração aos 76 anos de operação no Brasil, que dava 76% de bônus nas transferências da Livelo a todos os usuários. Assinantes do clube TAP ganhavam mais 25%. Se também fosse assinante do clube Livelo, receberia mais 25%. Assim, o bônus poderia chegar a 126% sobre o valor total de pontos transferidos.

Custo do ponto cai após bônus

Com essas promoções, o custo por ponto cai significativamente. No entanto, o valor final varia de acordo com a quantidade de pontos que foram transferidos e do bônus recebido. Aproveitando a promoção da Smiles citada acima, ao transferir 50 mil pontos do cartão de crédito, o usuário recebeu mais 50 mil pontos de bônus, sendo que 20 mil pontos (40%) foram exclusivamente pelo fato de ser assinante do clube Smiles.

Sendo assinante do Plano 1.000, o clube rendeu em um ano um total de 32 mil pontos (12 mil recebidos ao longo do ano e mais 20 mil de bônus na transferência). Com um investimento anual de R$ 478,40, o valor de cada ponto foi reduzido de R$ 0,0399 para R$ 0,0149. Assim os 45.900 pontos necessários para a emissão de um trecho entre Brasília e Miami passou a custar R$ 683,91.

Se os pontos do cartão crédito eram suficientes para emitir apenas uma passagem de ida, os pontos acumulados no clube do programa de fidelidade e os bônus recebidos permitiram emitir a passagem de ida e volta.

Para quem vale realmente a pena e qual escolher

Apesar dessa vantagem, os clubes de milhas só valem a pena para quem costuma viajar com frequência, acumular pontos com gastos no cartão de crédito e com compras em lojas parceiras. Afinal, o principal atrativo está justamente no bônus conquistado na transferência de outros programas.

Caso o usuário pretenda usar apenas os pontos conquistados por meio do clube do programa de fidelidade, dificilmente será uma operação vantajosa. Na maioria dos casos, valerá mais a pena o passageiro comprar o bilhete diretamente pela companhia aérea.

Além disso, é preciso estar atento a qual clube aderir. O ponto principal é saber com antecedência o que se pretende fazer com os pontos e para qual destino quer viajar. Caso queira viajar a Portugal, por exemplo, o clube Smiles pode não ser o mais atrativo, já que a Gol não tem voos diretos para esse destino. Nesse caso, os clubes da Latam e da Azul podem ser mais vantajosos.

O mais importante é estar atento a todos os detalhes e escolher o seu plano com calma. Isso, claro, se, após fazer as contas, chegar à conclusão de que ele realmente vale a pena.