Dólar sobe 2,2% e volta a R$ 5,64; bolsa vira e cai 1%, Carrefour sobe 12%

Internamente, o avanço do novo coronavírus deve continuar impactando a saúde e a economia do país e, consequentemente, segurando o humor dos investidores

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
24 de março de 2021 às 09:16 | Atualizado 24 de março de 2021 às 17:39
Painel financeiro na sede da Bolsa de Valores de São Paulo
Painel financeiro na sede da Bolsa de Valores de São Paulo
Foto: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo

Após passar a maior parte do dia em alta, o Ibovespa inverteu a tendência ao final da tarde, acompanhando a virada de humor também nas bolsas americanas, e encerrou esta quarta-feira (24) em queda de 1,06% ao fim do pregão desta quarta-feira (24), a 112.064,19 pontos. 

Seguindo a mesma tendência, o dólar, que subia, intensificou as altas e encerrou o dia com avanço de 2,2% e de volta ao patamar dos R$ 5,60. O dólar à vista fechou cotado a R$ 5,638 na venda. A alta de 2,2% é a mais forte desde 18 de setembro de 2020 (+2,77%).

Com o rali desta sessão, o dólar zerou as perdas acumuladas desde a semana passada, quando o Banco Central surpreendeu ao elevar os juros em ritmo mais forte que o imaginado.

Na bolsa de valores, o destaque foram os papéis do Carrefour (CRFB3), que subiram 12,77% após anúncio da compra dos negócios da Rede Big.

Internamente, o avanço do novo coronavírus deve continuar impactando a saúde e a economia do país e, consequentemente, o humor dos investidores.

Apesar disso, o mercado viu sinais de mudança no comportamento do governo após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro.

"O pronunciamento do presidente ontem mostra que o Planalto não irá medir esforços na vacinação e isto pode ajudar a rever projeções de PIB nas próximas semanas", diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora.

Lá fora

Os principais índices de ações dos Estados Unidos viraram a tendência ao fim do dia e fecharam em queda, com investidores deixando de lado o otimismo sobre a recuperação econômica defendida pela presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, e pela secretária do Tesouro, Janet Yellen.

Os comentários das duas principais autoridades econômicas do país espelharam o que ambas disseram ao Congresso na terça-feira, com Powell afirmando nesta quarta-feira que o caso mais provável é que 2021 seja "um ano muito, muito forte".

Segundo dados preliminares, o Dow Jones teve variação negativa de 0,02%, aos 32.418,15 pontos, o S&P 500 perdeu 0,55%, aos 3.889,15 pontos, e o Nasdaq recuou 2,01%, aos 12.961,89 pontos.

Powell e Yellen retomaram suas audiências perante o Congresso nesta quarta-feira, um dia depois que preocupações sobre o custo dos gastos com infraestrutura e possíveis aumentos de impostos afetaram os mercados acionários.

O mercado acionário europeu fechou praticamente estável, com as preocupações sobre novas medidas de lockdown ofuscando um retorno inesperado da zona do euro ao crescimento econômico em março.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,02%, a 1.630 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,02%, a 423 pontos, depois de chegar a cair 0,7% mais cedo no dia.

As bolsas asiáticas fecharam em baixa generalizada nesta quarta-feira (24), à medida que o agravamento da pandemia de Covid-19, especialmente na Europa, volta a comprometer a perspectiva de recuperação da economia global.

O índice acionário japonês Nikkei liderou as perdas na Ásia hoje, com queda de 2,04% em Tóquio, a 28.405,52 pontos, seguido bem de perto pelo Hang Seng, que caiu 2,03% em Hong Kong, a 27.918,14 pontos. Já o sul-coreano Kospi recuou 0,28% em Seul, a 2.996,35 pontos, e o Taiex se desvalorizou 0,90% em Taiwan, 16.032,12 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve baixa de 1,30%, a 3.367,06 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 1,41%, a 2.166,75 pontos.

O fraco desempenho no continente asiático veio também na esteira de perdas ontem nos mercados acionários de Nova York, que foram igualmente pressionados por temores ligados ao coronavírus.

A confiança do investidor foi abalada após Alemanha, França e Holanda estenderem medidas de bloqueio para tentar conter uma nova onda de infecções por Covid-19. No começo da semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia alertado sobre um aumento no número global de casos da doença.

Também gera apreensão a recente decisão de EUA, União Europeia, Canadá e Reino Unido de anunciarem sanções à China por supostos abusos de direitos humanos de minorias étnicas na região de Xinjiang. Em protesto, Pequim convocou ontem seus embaixadores em todas essas localidades.

Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o viés negativo da Ásia, e o S&P/ASX 200 avançou 0,50% em Sydney, a 6.778,80 pontos, impulsionado principalmente por ações de saúde e consumo. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo