Real deve ter valorização com economia mais forte no 2º semestre, diz BTG

Os profissionais classificaram a queda do dólar no mundo nas últimas semanas como um dos principais vetores para apreciação do real

Por José de Castro, Reuters
19 de maio de 2021 às 15:42 | Atualizado 19 de maio de 2021 às 15:50
BTG Pactual
Foto: Reuters /Amanda Perobelli

O real deverá seguir em valorização, beneficiado pela perspectiva de um ambiente mais favorável para a atividade econômica no segundo semestre, avaliaram economistas do BTG Pactual nesta quarta-feira (19)  mantendo projeção de R$ 5,30 ao fim do ano dentro de seu cenário-base.

Os profissionais classificaram a queda do dólar no mundo nas últimas semanas como um dos principais vetores para apreciação do real e consideraram que os dados mais fortes de inflação recém-divulgados nos Estados Unidos não devem alterar a política monetária do banco central norte-americano.

O Federal Reserve (Fed) informará ao público às 15h (horário de Brasília) desta quarta-feira a ata de sua última reunião de política monetária, que pode trazer mais detalhes sobre o pensamento do Fed a respeito.

"A manutenção das taxas de juros dos EUA em níveis baixos é essencial à continuidade dos fluxos financeiros para os países emergentes, incluindo o Brasil", disseram Álvaro Frasson, Leonardo Paiva e Luiza Paparounis em relatório, que lembrou ainda o processo de normalização monetária iniciado pelo Banco Central em março e que já tirou a Selic de 2% para 3,5%, aumentando o diferencial de juros favorável ao Brasil.

"Ademais, o fortalecimento da balança comercial brasileira pode ser uma variável importante para a apreciação do real no segundo semestre de 2021", acrescentaram.

Os economistas entendem ainda que a resolução do impasse do Orçamento e a ausência de grandes pressões adicionais sobre as contas públicas trouxeram alívio ao mercado, reduzindo a volatilidade da taxa de câmbio em meio à queda do risco-país.

"O avanço das reformas e a consolidação da vacinação devem colaborar para a continuidade desse cenário de queda do risco e da volatilidade", afirmaram.

Enquanto o cenário-base do BTG (com 60% de probabilidade de materialização) prevê dólar de R$ 5,30 ao fim de 2021, no cenário alternativo pessimista (15%) a moeda fica em R$ 5,60. No otimista (25%), a cotação cai para R$ 5,10.

As faixas de preço melhoraram. No fim de abril, o dólar do cenário básico era de R$ 5,40 variando entre R$ 5,20 e R$ 5,70 a depender da perspectiva. No começo do mês passado, no pior dos casos o dólar iria para R$ 6,40 com taxa do cenário-base em R$ 5,40 e taxa otimista de R$ 5,20.