É provável que haja racionamento preventivo de energia, diz professor da USP

Professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Jacobi, afirma que Brasil precisa tomar medidas preventivas para evitar novas crises hídricas

Produzido por Layane Serrano, da CNN em São Paulo
30 de maio de 2021 às 16:31

O Brasil vive a pior situação hídrica dos últimos 91 anos. Em entrevista à CNN, o professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, Pedro Jacobi, relembra o apagão de 2001, que afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica, e diz que é possível que seja imposta uma política de racionamento.

"É muito provável que esse racionamento [de energia] tenha que acontecer dentro de uma lógica preventiva. Nós temos que fortalecer cada vez mais uma visão de precaução [...]. É provável que haja um racionamento para poder garantir [energia], inclusive, nos períodos nos quais a redução significativa das chuvas pode acontecer. Nós estamos entrando no período de estiagem.”

Energia mais cara

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou uma nova tarifa de energia. A partir de junho, vai valer a bandeira vermelha patamar dois, a mais cara. Portanto, será cobrado um valor adicional de R$ 6,24 centavos para cada 100 kWh/hora consumidos. 

A respeito disso, Jacobi acredita que os cidadãos precisam se readequar a uma nova realidade. “Nós dependemos fundamentalmente de energias produzidas pelas hidrelétricas. Na medida em que não chove e os reservatórios não conseguem manter a capacidade suficiente para prover a energia, nós temos que nos ajustar."

O professor afirma que, no Nordeste, vêm sendo implementadas cada vez mais usinas eólicas, no entanto, apesar de altos investimentos, ainda está abaixo do necessário.

“Hoje, a energia eólica é responsável por 10,3% [da produção de energia], segundo dados das instituições que organizam a gestão de energia eólica. A solar é muito pequena, menos de 2%. A energia eólica está crescendo muito, principalmente no Nordeste, onde é realmente muito importante o volume de investimento que estão sendo feito, mas é um ritmo menos adequado do que poderia ser."

Professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, Pedro Jacobi. (30-05-2021)
Foto: Reprodução / CNN