Inadimplência aumenta 2,2% em maio, segundo Boa Vista

O desemprego é a principal causa apontada pelos economistas da Boa Vista

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
10 de junho de 2021 às 19:51
Dinheiro
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Pelo terceiro mês consecutivo, o indicador que registra o número de inadimplentes da Boa Vista subiu em Maio. A alta de 2,2% no mês passado confirma uma tendência de aumento na quantidade de pessoas que não conseguem pagar as dívidas em dia. O dado foi antecipado com exclusividade para a CNN.

O indicador de recuperação de crédito, que acompanha as exclusões dos registros de dívidas vencidas e não pagas, apresentou queda em maio, de 2,5%. O que revela a maior dificuldade dos consumidores em quitar débitos.

O desemprego é a principal causa apontada pelos economistas da Boa Vista. Com a taxa em 14,7% no primeiro trimestre do ano, sem o pagamento do auxílio emergencial, a renda das famílias caiu, perdeu valor para alta da inflação e levou ao não pagamento das dívidas.

A partir de março, quando o indicador da Boa Vista passou a registrar alta da inadimplência, os dados do BC ainda mostravam o inverso, com queda acumulada dos pagamentos atrasados. A inversão do quadro agora é mais forte e com tendência de alta nos próximos meses.

Na comparação interanual houve alta de 0,3% e os resultados acumulados seguem uma trajetória de desaceleração da queda do indicador. No ano, a queda de -14,6% até abril passou para -11,8% com os dados de maio.

O acompanhamento da recuperação do crédito mostra o mesmo movimento. Apesar da quantidade de saída de registros ter recuado 2,5% no mês passado, no acumulado do ano o resultado passou de uma alta de 3,2% em abril para 1,5% em maio.

Para os economistas da Boa Vista, o impacto do desemprego sobre a inadimplência foi mascarado no ano passado por causa do auxílio emergencial e a possibilidade de suspender ou postergar o pagamentos de dívidas.

Mesmo com a nova rodada do benefício, em valor bem menor do que o pago em 2020, o efeito tende a ser muito menor. O que pode segurar a trajetória de piora da inadimplência nos próximos meses, ao menos parcialmente, é  a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas.