Para professor da USP, crise hídrica deve permanecer até 2022

Além disso, a conta de luz elétrica pode ficar ainda mais cara, repetindo os aumentos que aconteceram nos últimos meses, segundo analisa Pedro Côrtes

Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
20 de junho de 2021 às 13:38

Cinco estados brasileiros estão sob alerta de emergência hídrica — são eles Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná —, desde o dia 28 de maio deste ano. Para Pedro Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, o período de seca no Brasil deve permanecer até por, pelo menos, o primeiro semestre de 2022. 

"Vejo com bastante preocupação o cenário para o segundo semestre. Vamos ter um inverno ainda mais seco do que o usual, e o período de chuvas, que começa no final de setembro, começo de outubro, incluindo o verão, também será mais seco do que o habitual", afirma.

Além disso, a conta de luz elétrica pode ficar ainda mais cara, repetindo os aumentos que aconteceram nos últimos meses, quando a conta de luz saiu do patamar de bandeira vermelha 1 para a 2. "Os governos, tanto federal quanto estadual, precisam reforçar a necessidade de economia de energia e de água, porque nós precisamos da participação de todos", afirma. "A única saída, efetivamente, é economizar."

Côrtes, no entanto, não descarta os riscos de blackout e de racionamentos de luz — mas acha pouco provável que o governo federal adote essa iniciativa. "O governo tem alternativas que vão desde o aumento da tarifa, para buscar uma redução de consumo a reprogramar o uso de energia por parte das indústrias eletrointensivas, ou seja, determinar que elas tenham o maior consumo durante a madrugada, quando a demanda não é tão grande", explica.