Desigualdade no Brasil cresceu (de novo) em 2020 e foi a pior em duas décadas

O 1% mais rico concentrou 49,6% de toda a riqueza do país, de acordo com relatório de riqueza global do banco Credit Suisse

Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de junho de 2021 às 04:30 | Atualizado 23 de junho de 2021 às 19:45
Bairro de Boa Viagem, no Recife, é marcado por desigualdade territorial
Bairro de Boa Viagem, no Recife, é marcado por alta desigualdade social em seu território
Foto: Diego Herculano/NurPhoto via Getty Images

 O Brasil não só continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, como está piorando: em 2020, seguindo uma tendência mundial acelerada pela pandemia do novo coronavírus, a concentração de renda aumentou no país e, com isso, atingiu o pior nível em pelo menos duas décadas. 

É o que mostram números da edição de 2021 do relatório sobre riqueza global feito pelo banco Credit Suisse. 

Em 2020, quase a metade da riqueza do país foi toda para a mão do 1% mais rico da população: 49,6%. Em 2019, eles detinham 46,9%. 

É também o pior nível de concentração de renda desde pelo menos 2000, de acordo com o relatório: naquele ano, o 1% mais rico era dono de 44,2% das riquezas no Brasil e, em 2010, esse número havia caído para 40,5%, a menor proporção registrada no período. Dali em diante, essa proporção voltaria a subir até chegar aos quase 50% do ano passado nas mãos do pequeno grupo que ocupa o topo. 

São números bem mais altos do que outros países latino-americanos, como o México e  o Chile, por exemplo, onde a tendência não foi a mesma: a desigualdade, hoje, está menor do que há 20 anos nesses países. No México, a proporção da riqueza na mão do 1% mais rico caiu de 40,1% em 2000 para 33,6% em 2020, e, no Chile, a queda foi de 42,8% para 31%.  

Se consideradas as grandes economias, só na Rússia esse número é maior do que no Brasil, com 58% das riquezas concentradas pelo 1% mais abastado. Na Índia essa fatia é de 40%, nos Estados Unidos 35% e, no Japão, 18%. 

A mesma tendência é apontada pelo índice de Gini, coeficiente que calcula o grau de desigualdade de uma economia e leva em consideração não só as distâncias que separam a renda média do topo, mas, também, as que separam as parcelas do piso mais pobre da média.

Entre 2019 e 2020, o indicador subiu de 88,2 para 89 no Brasil, em uma escala em que, quanto maior a nota, maiores a desigualdade e a concentração de renda. Em 2010, tinha caído ao mínimo de 82,2.

Entre as grandes economias, os países mais próximos do nível de desigualdade do Brasil são a Rússia (com 87,8 em 2020) e os Estados Unidos (com 85). No México e no Chile a pontuação foi a 80,5 e 79,7 em 2020, respectivamente. No Japão, subiu a 64,4.