FGV: mais da metade das indústrias tiveram falta de matéria-prima em junho

Com isso, além de possíveis atrasos nas entregas, custos de produção devem aumentar

Tiago Américo, da CNN, em São Bernardo do Campo-SP
20 de julho de 2021 às 23:13 | Atualizado 21 de julho de 2021 às 12:40

 

De acordo com um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 52,4% das empresas do setor industrial enfrentaram dificuldades com a falta de matéria-prima em junho deste ano. Em novembro de 2020, esse número era de 55,5%, o que significa que a oscilação está dentro da margem de erro.

Segundo a economista da FGV Ibre Cláudia Perdigão, "as commodities estão na base das cadeias produtivas", por isso os setores que utilizam esses produtos acabam por sofrer mais problemas no acesso a insumos.

"Isso leva ao aumento de preço ao longo da cadeia produtiva e também pode elevar o tempo de entrega", explica a economista. 

A pesquisa da FGV também mostra que o setor de papel e celulose está se normalizando. Lembrando que é um setor fundamental para as indústrias por conta da produção do papelão, material muito utilizado nos processos. Mas apesar das melhoras pontuais, a situação ainda é preocupante, e o empresariado vai ter que se adaptar. 

"São conhecimentos que temos que busca e combinar para termos alguma respostas frente os desafios que ainda estarão por aí por um certo tempo até que as coisas se estabilizem", avalia Jader Almeida, diretor criativo de uma fábrica de móveis em Santa Catarina.

FGV aponta que mais da metade das indústrias enfrentaram falta de insumos em junho (20.jul.2021)
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