Há espaço para indústria e agronegócio caminharem juntos, avalia professor

À CNN Rádio, Fernando Ribeiro disse que processo de desindustrialização no Brasil, apontado pelo IBGE, tem diversas causas

Amanda Garcia, da CNN Brasil, em São Paulo
22 de julho de 2021 às 11:37 | Atualizado 22 de julho de 2021 às 11:37
Caminhão descarrega soja em Primavera do Leste (MT)
Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

 

O IBGE divulgou um levantamento indicando que, em seis anos, no período de dezembro de 2013 a dezembro de 2019, perdeu 28.600 empresas e 1,4 milhão de postos de trabalho. Em entrevista à CNN Rádio nesta quinta-feira (22), o professor de macroeconomia do Insper, Fernando Ribeiro, apontou que o resultado “converge para um processo em curso na economia brasileira desde 1985”.

Ele explica que a composição da produção industrial no Brasil, que se mede pelo PIB, trouxe “uma mudança a favor do agronegócio e fundamentalmente em favor dos serviços e o agro, em função da pandemia, com o aumento da demanda por commodities, contribuiu para que a indústria perdesse espaço”.

Este fenômeno da desindustrialização, porém, para o professor, tem vários elementos. “As causas são inúmeras, uma delas é que, por algum motivo, a indústria não cria simbiose com a tecnologia, tem dificuldade de avançar para uma indústria 4.0, com computação, tecnologia inclusa.”

Aliado a isso, há elementos estruturais no Brasi que favorecem este cenário: “Há custos tributários, de mão de obra, infraestrutura precária, sustentação para a atividade industrial”, elencou.

Nesse sentido, o professor disse faltar diálogo da indústria com o agronegócio: “Cabe ao Brasil ocupar esse espaço, articular esse espaço do agro com a indústria, tecnologia, acho que é um setor de médio e longo prazo de crescimento, não são bens excludentes, agro e indústria podem caminhar juntos”.