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    A oito dias de assembleia, indicação para presidente da Petrobras é incógnita

    Governo federal ‘corre’ para apontar um nome após a desistência de Adriano Pires da indicação

    Tanques de combustíveis da Petrobras em Paulínia
    Tanques de combustíveis da Petrobras em Paulínia 1/07/2017REUTERS/Paulo Whitaker

    Pauline AlmeidaPedro DuranMaria MazzeiElis Barretoda CNN

    no Rio de Janeiro

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    Faltando pouco mais de uma semana para a assembleia que irá definir o novo presidente da Petrobras, o governo federal ‘corre’ para apontar um nome após a desistência de Adriano Pires da indicação.

    Na noite dessa segunda-feira (4), o empresário encaminhou uma carta ao governo federal declinando do convite, alegando não ter tempo hábil para se desincompatibilizar da atual atividade como consultor do setor de óleo, gás e energia.

    A Petrobras informou que recebeu dois ofícios do Ministério de Minas e Energia nessa segunda-feira, comunicando as decisões de Pires e também de Rodolfo Landim, que abdicou da indicação à presidência do Conselho de Administração da empresa.

    No entanto, ainda aguarda detalhes sobre as substituições.

    Nesta terça-feira (5), a Diretoria de Governança e Conformidade da Petrobras iria se reunir para analisar a indicação de Adriano Pires e preparar um parecer sobre o nome para os acionistas da estatal, convocados para a assembleia do próximo dia 13 de abril.

    No entanto, um parecer preliminar do colegiado já indicava a incompatibilidade de Pires com o cargo devido à atuação empresarial no setor, o que dificultaria a aprovação.

    As incertezas no dia da oficialização da desistência de Adriano Pires tiveram efeitos no mercado financeiro. As ações da Petrobras caíram quase 1%.

    Segundo uma apuração da analista da CNN Thais Arbex, um dos cotados para o cargo é o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, que já teria sido ventilado como um possível substituto a Joaquim Silva e Luna.

    O nome seria do agrado do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente Jair Bolsonaro.

    Caso o governo não consiga um indicado a tempo da assembleia, a Petrobras pode ganhar um presidente interino do segundo escalão.

    O estatuto da empresa prevê que “no caso de vacância do cargo de Presidente, o Presidente do Conselho de Administração indicará o substituto dentre os demais membros da Diretoria Executiva até a eleição do novo Presidente”.

    Governo tentou reverter desistência de Pires, mas não conseguiu.

    A segunda-feira foi marcada pelos rumores envolvendo a mudança de postura de Adriano Pires, um dia após Rodolfo Landim, atual presidente do Flamengo, ter declinado da indicação à presidência do Conselho de Administração da Petrobras.

    “Ficou claro que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho.

    Adriano Pires, enquanto diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), em audiência no Senado, em agosto de 2016
    Adriano Pires, enquanto diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), em audiência no Senado, em agosto de 2016 / Pedro França/Agência Senado

    Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo”, declarou Pires na carta enviada ao Ministério de Minas e Energia nessa segunda-feira.

    Adriano Pires é sócio e fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, consultoria do setor de óleo e gás. O outro diretor do negócio é o filho Pedro Rodrigo Pires, que continuaria tocando a empresa com a saída do pai. No entanto, a Lei das Estatais (13.303/2016) veda que executivos dessas companhias tenham parentes em empreendimentos concorrentes.

    O conflito de interesses também havia sido questionado pelo Ministério Público Jungo ao Tribunal de Contas da União. Na semana passada, o órgão havia apresentado uma representação para que o empresário não assumisse o comando da Petrobras até uma investigação prévia.

    No documento, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado apontava que o CBIE presta serviços para as principais multinacionais de petróleo, gás e energia, concorrentes da Petrobras, e indicava o risco do uso inadequado de informações privilegiadas, que poderiam prejudicar o mercado brasileiro.

    Também elencava que a mudança poderia significar uma tentativa do governo federal de mudar a política de preços da estatal, apesar de Pires ser um defensor da atual paridade com o mercado internacional.

    Na carta ao governo federal, Pires não fez qualquer relação aos questionamentos de conflitos de interesses. “Ao longo de minha carreira, sempre lutei pelo desenvolvimento do mercado brasileiro de Óleo e Gás. Venho defendendo publicamente a importância das regras de mercado e do aumento da competição em prol do consumidor e da sociedade, do crescimento do País e do incentivo aos investimentos”, escreveu

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, passou a segunda-feira no Rio de Janeiro, na tentativa de evitar a desistência de Pires, mas não teve sucesso. Como resposta à comunicação do consultor, divulgou que entendia as razões do declínio.

    À âncora Thais Herédia, o general Joaquim Silva e Luna afirmou que não deixará a Petrobras até uma solução definitiva para o comando da empresa.

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