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    Apesar de pressão, Brasil não acredita em embargo da carne pelos Estados Unidos

    Após suspensão do produto pela China, produtores americanos têm defendido junto ao governo dos Estados Unidos suspensão da importação da carne brasileira

    Gustavo Uribe

    em Brasília

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    Apesar da pressão de produtores americanos, o governo brasileiro considera pouco provável que os Estados Unidos suspendam a importação de carne bovina in natura do Brasil.

    A avaliação é compartilhada por fontes próximas ao governo americano consultadas pela CNN Brasil, para os quais trata-se de uma questão interna, com poucas chances de êxito neste momento.

    O aumento na compra de carne de outros países estaria incomodando os produtores locais. Após o embargo da China à carne brasileira, que já dura mais de dois meses, a NCBA (National Cattlemen’s Beef Association), uma das principais entidades de produtores bovinos dos Estados Unidos, solicitou a suspensão ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

    Em nota pública, o argumento utilizado pela entidade de produtores foi de que, diante dos casos de vaca louca registrado no Brasil, é necessário reavaliar a segurança dos procedimentos sanitários adotados pelo governo brasileiro.

    “É hora de manter a carne fresca brasileira fora deste país até que o Departamento de Agricultura possa confirmar que o Brasil atende aos mesmos padrões de consumo e segurança alimentar que aplicamos a todos os nossos parceiros comerciais”, disse Ethan Lane, vice-presidente da entidade, em nota oficial.

    Apesar do pedido feito pela entidade americana, o governo brasileiro ainda não foi acionado pelos Estados Unidos. A avaliação feita no Ministério da Agricultura é de que uma suspensão da carne brasileira neste momento é pouco provável diante do aumento da importação do produto pelo governo americano.

    O Ministério afirma que cumpre todas as medidas e protocolos sanitários exigidos para importação de carne. Até setembro deste ano, segundo dados da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), os Estados Unidos foram o segundo maior importador da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, nosso maior comprador mundial.

    Avaliação feita no Ministério da Agricultura é de que uma suspensão da carne brasileira neste momento é pouco provável / REUTERS/Pilar Olivares

    Por causa de dois casos atípicos da doença da vaca louca detectados em frigoríficos brasileiros, a China interrompeu em setembro a importação da carne brasileira. Após o episódio, o governo brasileiro informou que foram casos isolados de animais que não chegaram a ser comercializados e que não há risco de contágio”.

    Ainda assim, não há ainda previsão para a retomada da compra do produto pelo país asiático, apesar dos acenos feitos em outubro pelo governo chinês de retomada da atividade comercial no curto prazo.

    A expectativa de diplomatas chineses ouvidos pela CNN Brasil é de que o comércio seja retomado até o final de janeiro, uma perspectiva considerada otimista por integrantes do governo brasileiro.

    Tarifa Zero

    Na quarta-feira (17), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, informou que a Rússia criará por seis meses uma tarifa zero de importação de proteína animal. Segundo ela, foi aberta uma cota de 300 mil toneladas, sendo 200 mil toneladas de carne bovina e 100 mil toneladas de carne suína.

    Segundo a CNN Brasil apurou junto ao governo brasileiro, para aderir à nova cota, os frigoríficos brasileiros precisam demonstrar interesse ao governo russo e oferecer uma proposta para aderir à cota com tarifa zero de importação.

    No ano passado, segundo informou o Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 58 mil toneladas de carne bovina para a Rússia. O país está entre os dez maiores compradores da carne brasileira.

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