Aéreas low-cost cobram pela mala de mão e até pelo check-in; veja taxas extras

Para oferecer tarifas baratas, companhias cobram por quase todos os outros serviços que vão além de levar o passageiro no voo

Foto: Hannah McKay - 23.ago.2018/Reuters

Vinícius Casagrande, colaboração para o CNN Brasil Business

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As companhias aéreas de baixo custo, conhecidas como low-cost, ganharam popularidade no mundo inteiro por oferecerem passagens bem mais baratas que as empresas tradicionais. Uma das mais conhecidas, a europeia Ryanair costuma fazer promoções de bilhetes que chegam a ser vendidos por apenas 5 euros (R$ 32) por trecho, por exemplo.

No Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) vem trabalhando nos últimos anos para tentar atrair esse tipo de empresa para ampliar o acesso ao transporte aéreo no Brasil. Para isso, o principal ponto defendido pela agência é a desregulamentação do setor.

Um dos pontos mais polêmicos dessa política foi a liberação para cobrar pela bagagem despachada. E tem muito mais. Para oferecer tarifas baratas, as companhias aéreas low-cost cobram por quase todos os outros serviços que vão além de levar o passageiro no voo.

Conheça as principais taxas extras cobradas por empresas de baixo custo ao redor do mundo.

Marcação de assentos

Cobrar para que o passageiro possa escolher com antecedência o local exato onde irá sentar durante o voo começou com as companhias low-cost, mas hoje praticamente todas as companhias aéreas já adotam essa prática. 

O valor pode mudar, inclusive, de acordo com o local escolhido. Em geral, as fileiras da frente e os assentos na janela ou corredor são mais caros que os no fundo do avião ou poltronas do meio. 

No Brasil, as três principais companhias aéreas cobram pela marcação antecipada de assentos.

Na Gol, o preço varia de R$ 25 a R$ 35 para os assentos comuns e R$ 58 para o Gol+ Conforto. Na Azul, os valores variam de R$ 20 a R$ 24 para as poltronas normais e chegam a R$ 56 no Espaço Azul. Na Latam, os valores vão de R$ 22 a R$ 25 nos assentos normais, de R$ 39 a R$ 43 no Latam+ e de R$ 55 a R$ 60 nas saídas de emergência.

Bagagem despachada

A prática começou a vigorar no Brasil em junho de 2017, mas já existia em quase todos os países do mundo. Essa foi mais uma cobrança que começou com as companhias low-cost e logo foi adotada também pelas empresas tradicionais. Em geral, os valores mudam de acordo com a antecedência da compra e a quantidade de malas despachadas.

No Brasil, os valores variam de R$ 40 a R$ 120 para a primeira mala de até 23 quilos. A low-cost Ryanair cobra 12,99 euros (R$ 83) para uma mala de até dez quilos e 21,99 euros (R$ 140) para bagagem de até 20 quilos.

Bagagem de mão

Nas empresas de baixo custo, até mesmo a mala de mão passou a ser cobrada nos últimos anos. As companhias aéreas alegam que os passageiros passaram a levar muita bagagem na cabine para evitar os custos de despacho. Sem espaço suficiente para todas as malas, muitas precisavam ser despachadas no porão na hora do embarque dos passageiros.

Na Ryanair, os passageiros com as tarifas mais baixas só podem levar uma mochila que caiba embaixo do assento da frente. Para levar uma bagagem de mão maior, é preciso pagar de 6 euros (R$ 38) a 10 euros (R$ 64), dependendo do voo. Se, na hora do embarque, for constatado que a mala de mão é maior que o permitido e ela precisar ser despachada, o valor sobe para 25 euros (R$ 160).

Fura-fila no raio-x

Para agilizar o embarque, diversos aeroportos da Europa e mesmo nos Estados Unidos contam com um serviço chamado Fast Track, uma espécie de fura-fila, destinado somente a passageiros que adquiriram o benefício.

O acesso a essa área privilegiada e com menos filas pode estar incluído nas tarifas mais caras ou ser adquirido separadamente. O valor cobrado depende da companhia aérea e do aeroporto de embarque. Para passar mais rápido no raio-x do aeroporto de Lisboa (Portugal), a Ryanair cobra 8,99 euros (R$ 57) por passageiro, por exemplo.

Embarque prioritário

Mesmo com lugares marcados, é bem comum presenciar longas filas momentos antes do embarque. Muitos passageiros querem entrar primeiro no avião exatamente para garantir que sua bagagem de mão terá espaço no bagageiro acima do assento.

As companhias low-cost da Europa cobravam para o passageiro entrar primeiro no avião e evitar as filas no portão de embarque. Agora, ao adquirir o transporte da mala de mão, já ganham o direito de embarque prioritário.

Na norte-americana Southwest, é possível adquirir o pacote chamado EarlyBird Check-in. Por US$ 25 (R$ 131), o passageiro faz o check-in de forma automática, mas as principais vantagens são garantia de lugar mais à frente do avião e o embarque prioritário. O acesso ao bagageiro antes dos demais passageiros é uma das vantagens vendidas pela empresa.

Check-in no aeroporto

Algumas companhias de baixo custo podem cobrar caso o passageiro não realize o check-in pela internet. Essa é uma forma de as empresas reduzirem os custos dentro dos aeroportos. Isso é comum em empresas de baixo custo na Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, a argentina FlyBondi foi a primeira a adotar essa taxa –por causa da pandemia, a empresa está com os voos suspensos para o Brasil.

Cerca de 48 horas antes do voo, o passageiro recebe um e-mail com o alerta para fazer o check-in online. Se ignorar o alerta e deixar para receber o cartão de embarque somente no balcão do aeroporto, precisa pagar uma taxa de cerca de R$ 20. Quanto mais pessoas fizerem o check-in online, menos funcionários a empresa precisa colocar no aeroporto, reduzindo seus custos.

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