Aumento da produção de petróleo não garante combustíveis mais baratos, diz ANP

EPE já previa aumento na produção para 3,36 barris de petróleo por dia para esse ano. Capacidade de refino, no entanto, ainda precisa progredir

Instalações da Petrobras na Baía de Guanabara
Instalações da Petrobras na Baía de Guanabara Bruno Domingos/File Photo/Reuters

Isabelle SalemeElis Barretoda CNN

Rio de Janeiro

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O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Rodolfo Henrique Saboia, comentou a expansão da produção de petróleo, anunciada pelo Ministério de Minas e Energia.

“O aumento da nossa produção vai crescer naturalmente através do investimento das nossas empresas”, comemorou. No entanto, Saboia não garante que o crescimento vai causar impacto direto no preço dos combustíveis no país.

“A nossa produção é destinada, muitas vezes, para o refino interno, às vezes para exportação… isso depende das empresas, o direcionamento que cada empresa produtora vai dar ao seu produto. Então, em tese, isso contribui para a oferta no mercado e, sem dúvida nenhuma, é um fator positivo”, explicou o presidente da ANP.

A avaliação foi feita antes da abertura do 35º Congresso da Associação Ibero-americana de Gás Liquefeito de Petróleo (AIGLP), no Rio de Janeiro. ]

Nesta quarta-feira (23), o ministro Bento Albuquerque afirmou que, a partir deste ano, o Brasil irá aumentar em 300 mil barris por dia a produção de petróleo.

Segundo Albuquerque, a ideia é tentar ajudar na estabilização do mercado internacional de commodities.

Em janeiro, segundo dados da ANP, o país produziu média de 3,032 milhões de barris diários.

No acumulado de janeiro, a produção brasileira somou 94 milhões de barris. Bento Albuquerque defende que a transição energética para uma matriz mais limpa — com menos combustíveis fósseis e mais renováveis — “deve avançar de mãos dadas com a segurança energética”.

No entanto, o crescimento divulgado pelo governo federal já constava em um planejamento de expansão de energia, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Heloisa Borges, explicou que, de acordo com o plano, a previsão é de que o Brasil atinja os 3,36 milhões de barris produzidos por dia ainda esse ano. Até 2031, a expectativa é chegar a 5,17 milhões/dia.

Desse total previsto para próxima década, 93% são sustentados por recursos já descobertos. Segundo Heloisa, a maior parte do aumento virá da Petrobras.

A diretora de estudos, lembrou, ainda, que a produção brasileira, hoje, já supre a demanda de petróleo, mas para os derivados é necessário investir no parque de refino. “A gente se tornar autossuficiente em vários derivados ainda essa década. Isso em função de alguns investimentos que a gente está esperando com o novo modelo de abastecimento e com a dinamização que a gente está vendo acontecer no nosso abastecimento nacional.”

Heloisa acredita que o país caminha para uma diminuição nos preços dos combustíveis, mas lembra que esses valores não dependem apenas da produção brasileira e sim do mercado internacional.

A CNN perguntou a Petrobras se a empresa pretende aumentar a produção e como iria funcionar esse planejamento, mas a empresa respondeu sugerindo que procurássemos o MME, “já que o ministro se referiu à produção nacional e não à da Petrobras.”

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