Avião na sala de estar: condomínios temáticos atraem donos de aeronaves no país

Casas com hangares privativos em condomínios-aeroportos atraem proprietários de aeronaves

Avião privado perto de um hangar
Avião privado perto de um hangar Ghislain & Marie David de Lossy / Getty Images

Thiago Vinholescolaboração para o CNN Brasil Business

Ouvir notícia

Já viu a casa do John Travolta? Ele tem uma residência no condomínio aeronáutico Jumbolair Aviation Estates, na Flórida. Com acesso a uma longa pista de pouso e decolagem, a mansão tem dois portões de embarque para aeronaves e uma vaga extra no pátio. O astro de Hollywood, que também é um experiente piloto, tem uma coleção de aviões. Até pouco tempo, o ator mantinha na “garagem” um antigo jato comercial de grande porte Boeing 707, que ele doou para um museu.

Nos Estados Unidos, condomínios como esses são chamados de “fly-in” ou “aeropark”. O modelo de moradia surgiu lá, na década de 1940, e, atualmente, existem mais de 400 loteamentos desse tipo no país, de acordo com a Living With Your Plane Association. O estado da Flórida é o paraíso dessas comunidades, com 52 aeródromos residenciais. Empreendimentos aeronáuticos também são populares na Europa, onde existem grandes frotas de aeronaves privadas. Sabe onde mais é assim?

O Brasil tem a segunda maior frota do mundo da chamada Aviação Geral. Essa categoria compreende todas as aeronaves, exceto os modelos de companhias aéreas e de forças armadas. Por aqui, esse segmento compreende mais de 20 mil aviões, jatos executivos, ultraleves, planadores, helicópteros, balões… Enfim, praticamente tudo que voa. Alguns desses donos de aviões guardam suas máquinas no “quintal” de suas casas.

O primeiro condomínio aeronáutico do Brasil foi o Vale Eldorado, em Bragança Paulista (SP), em 1989. “O Vale Eldorado foi criado por um grupo de amigos aficionados por aviação e serviu de inspiração para a criação de diversos outros condomínios aeronáuticos pelo Brasil. Os pilotos trazem a família, é muito legal”, disse o empresário.

“Quase todos os dias eu faço um voo. Gosto de voar nas primeiras horas do dia, após tomar o café da manhã. Depois eu retorno, pouso e vou taxiando o avião até meu hangar, que fica anexado à casa. É tudo muito tranquilo. Se fosse um aeroporto teria mais burocracia, fora os custos”, contou Franco. “Tem gente que mora aqui e vai trabalhar de avião em outra cidade e depois volta.”

Outro exemplo no estado de São Paulo é o Residencial Bela Vista, inaugurado em 2018, no município de Panorama. “As primeiras casas do condomínio estão em construção, mas o aeródromo já está funcionando. Em breve também teremos serviço de abastecimento e oficinas. Um dos diferenciais do Bela Vista é que os residentes têm acesso ao condomínio por terra, ar e água. O condomínio está localizado na margem do Rio Paraná”, contou Fernando Barato, administrador do local, que tem uma pista para receber aeronaves de pequeno porte e uma marina para barcos.

“Observamos que existe uma demanda muito carente nesse segmento aqui no Brasil. As pessoas querem voar, mas não tem para onde ir. O condomínio aeronáutico facilita muito essa prática para os proprietários de aviões, além de reunir uma série de atrações para a família dos pilotos”, explicou Barato, acrescentando que os lotes disponíveis no Residencial Bela Vista custam a partir de R$ 200 mil.

Casa-hangar

Em Santa Catarina está o que pode ser considerado o residencial aéreo mais “descolado” do Brasil, o Condomínio Aeronáutico Costa Esmeralda, em Porto Belo.

“É um condomínio aeronáutico bem diferente. Aqui não é permitido construir casas, somente hangares. Mas não é um hangar qualquer. É um hangar que pode ter uma suíte, um mezanino, uma sala, cozinha. O proprietário pode ser criativo na construção, desde que seja um hangar. O hangar é a casa. O Costa Esmeralda é o primeiro condomínio do mundo dessa categoria”, explicou Antônio Rosa Carvalho, administrador do empreendimento.

O condomínio em Porto Belo, que fica próximo de diversas praias badaladas de Santa Catarina, como Balneário Camboriú, Itapema e Bombas e Bombinhas, virou uma alternativa para chegadas e partidas de turistas e celebridades.

“Temos uma estrutura para receber aviões particulares e táxi-aéreo. O jato do Neymar passa por aqui toda semana. Alexandre Pires, Bruno e Marrone, vários artistas pousam aqui. Se eles quiserem, podem pousar e já embarcar direto no carro, na pista. Para decolar, a mesma coisa. É tudo muito prático”, revelou Carvalho.

O administrador do Costa Esmeralda informou que o condomínio tem 90 hangares construídos e 150 aeronaves hangaradas. A pista do Costa Esmeralda tem 1.200 metros de comprimento e pode receber aeronaves de dia e à noite. O local também tem ponto de abastecimento e oficinas, disponíveis 24 horas, sete dias por semana, além de uma estrutura de lazer.

“Aqui tem tudo para receber aviões particulares, mas para morar tem que ser piloto. Tem que voar pelo menos um ultralave”, contou Carvalho, acrescentando que o condomínio tem residentes fixos. “São quase 10 famílias. Todas de pilotos e moram no hangares.”

Segundo o administrador do Costa Esmeralda, o hangar mais acessível, de 13×13 metros, custa R$ 750 mil, e o maior, de 48×48 m, R$ 2,8 milhões. “Dá para colocar uns quatro aviões, como um Cirrus ou dois jatos Phenom, nesse hangar maior”, disse o administrador do condomínio, que gerencia a instalação desde a sua abertura, em 2009.

Seja com uma casa de veraneio ou uma residência fixa, os condomínios aeronáuticos oferecem aos pilotos proprietários de aeronaves a chance de ficarem próximos de suas famílias e dos céus. Qual avião você deixaria na sua sala de estar?

Mais Recentes da CNN