Bitcoin cai mais de 4% e se aproxima da menor cotação desde outubro

Quedas da criptomoeda estão ligadas principalmente a realizações de lucros, dizem analistas

Bitcoin se distanciou nesta semana do recorde de US$ 68 mil
Bitcoin se distanciou nesta semana do recorde de US$ 68 mil Getty Images

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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O bitcoin manteve a tendência de queda que tem apresentado nesta semana, e recuava pouco mais de 4% nesta quinta-feira (18). Com isso, a criptomoeda ficou novamente abaixo da cotação de US$ 60 mil, se distanciado do recorde atingido em novembro de 2021 e chegando o menor valor desde 13 de outubro.

Por volta das 15h03, o bitcoin recuava 4,30%, a US$ 57.670, segundo o site CryptoWatch, que agrega a cotação de diversos locais de negociação. Segunda criptomoeda mais negociada no mundo, o ether – ligado ao ethereum – caía 4,73%, a US$ 4.054.

Segundo analistas, a queda do bitcoin nesta semana ocorre principalmente pela chamada realização de lucros, quando investidores vendem um ativo que se valorizou e obtém lucro pela diferença entre o preço pago e o de venda.

Para Ricardo Dantas, co-presidente da exchange Foxbit, “sempre que o bitcoin rompe as barreiras de recorde, é esperado uma pequena correção em um curto prazo. Estamos vendo investidores novos querendo um retorno rápido, do outro lado, os grandes investidores de longo prazo estão cada vez mais acumulando cripto nessas baixas”.

“Quem estuda o mercado cripto entende que o bitcoin ainda é um ativo bastante volátil. Esse movimento de queda após atingir um novo recorde de preço é bastante comum”, diz Rafael Izidoro, presidente da plataforma bancária Rispar.

Outros fatores também pesam para a queda, como a alta da inflação dos Estados Unidos e uma nova crítica do governo chinês em relação à mineração de criptomoedas, reforçando a promessa de combater a prática.

Bernardo Schucman, vice-presidente sênior de operações de Data Center da CleanSpark, associa a queda atual do bitcoin a movimentos como “a expansão do banimento chinês para operações com bitcoin e o aumento de restrições e sanções contra os mineradores chineses, bem como a expectativa que o Congresso americano em aprove novas regulações tributárias para operadores de criptomoedas”.

A “guerra” da China contra as criptomoedas ocorre desde o começo de 2021, com uma série de medidas que proibiram a mineração no país, alegando o alto impacto ambiental da prática, e as transações com criptomoedas, devido ao caráter altamente especulativo dos ativos.

Dados da Universidade de Cambridge mostram que, hoje, os Estados Unidos concentram a maior porcentagem de atividade de mineração. O bitcoin atingiu valores recordes após o lançamento dos primeiros ETFs ligados à criptomoeda nos Estados Unidos, no caso os preços futuros dela, em outubro deste ano.

A alta continuou em novembro até um recorde de US$ 68 mil, puxada por preocupações com a inflação recorde nos Estados Unidos. Craig Erlam, analista de mercado da corretora Oanda, disse à Reuters que o valor do bitcoin dobrou desde janeiro. Com isso, a correção seria mais severa apenas se o valor da criptomoeda fique abaixo de US$ 58 mil, o que ainda não ocorreu.

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