Black Friday: Em meio à inflação, varejistas apostam no parcelamento

Em entrevista à CNN, executivos da Via e do Mercado Livre afirmaram que momento é desafiador, mas trabalham com perspectivas positivas para o período de promoções

Da CNN*

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A Black Friday começa a partir das 00h desta sexta-feira (26) em uma edição marcada pelo retorno das atividades presenciais – após um 2020 com foco no digital – e em meio à escalada dos preços.

Para varejistas, o momento é desafiador, mais ainda de otimismo. “Estamos há oito trimestres com aumento de vendas e ganho de market share. O mercado está mais complexo, mas seguimos com crescimento”, disse Roberto Fulcherberguer, CEO da Via, dona da Casas Bahia e Ponto Frio, em entrevista à CNN.

Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil, reforça a avaliação de Fulcherberguer. O executivo avalia que é um momento desafiador, difícil, principalmente pela inflação, mas que as compras no ambiente online seguem crescendo. “Saíram de 5% do total de vendas do varejo, antes da pandemia, para 11% no final de 2020, hoje alcançando mais de 12%. E este mês de novembro tem sido um crescimento mais forte até, os varejistas já começaram o mês mais agressivos com promoções, isso acabou acelerando o crescimento.”

Fulcherberguer diz ainda que, apesar da inflação, os aumentos em seus produtos principais – na linha de eletrodomésticos e eletroeletrônicos e celulares – esse aumento já começou no ano passado, pois são produtos com custo mais atrelado ao câmbio.

“Há um ano já aumentou. Quando vimos a escalada ano passado, e estamos lidando com isso desde então, usando muito o parcelamento para encaixar no bolso do consumidor e atender os patamares de consumo”, disse afirmou o CEO da Via.

Yunes também tem no parcelamento uma estratégia, mas a alta dos juros pode atrapalhar. “Temos dois impactos grandes, inflação e redução de poder de compra das famílias. Juros mais altos acabam encarecendo o produto, o custo do parcelamento fica  mais alto. É um contexto bem desafiador.”

Segundo Yunes, observam-se mudanças dos consumidores no marketplace para lidar com a alta dos preços e dos juros. Entre elas, a redução do mix comprado, a compra de itens os mais baratos ou até mesmo deixando de comprar algumas categorias.

Ele aponta ainda um crescimento na categoria supermercados. “Cresceu 300% [a categoria]. Estão priorizando as compras essenciais. Mas os eletrotônicos ainda são o carro-chefe do site.”

Apesar dos desafios, os varejistas mantêm boas expectativas para os negócios no país. O Mercado Livre, por exemplo, deve manter a previsão de investimentos, principalmente com foco na logística. “Velocidade tem sido muito importante para seguir conquistando os consumidores e aumentando os negócios online.  Neste momento, no curto prazo, buscamos produtividade de custo.”

A Via também segue com os investimentos, inclusive em mais lojas físicas. Recentemente o grupo inaugurou uma mega-loja da bandeira Casas Bahia. “Estamos preocupados, mas não deixamos de investir. Inauguramos 70 lojas, incluindo uma mega loja que já está lotada. O consumidor está comprando, ele poupou para comprar”, avalia.

Segundo Fulcherberguer, a alternativa é fazer adaptações de produtos e sortimentos e financiar para caber no orçamento do consumidor. Além disso, a varejista aposta na combinação entre os canais físico e online.

(*Texto publicado por Ana Carolina Nunes)

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