Brasil sobe em ranking de inovação, mas continua com desempenho ruim, diz CNI

Segundo relatório, fraquezas do Brasil são a formação bruta de capital, facilidade para abrir uma empresa, facilidade para obtenção de crédito e taxa tarifária aplicada

Tamires Vitorio

em São Paulo

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O Brasil subiu cinco lugares no Índice Global de Inovação (IGI) do ano passado para este, indo para 57° de um total de 132 países. Apesar do avanço, o país ainda está 10 posições atrás da que ocupava em 2011, quando teve seu melhor resultado no levantamento.

Entre os países da América Latina e do Caribe, o Brasil está em 4º lugar, atrás do Chile, do México e da Costa Rica. Em relação aos países do BRICS (grupo dos emergentes), o Brasil está em penúltimo, à frente somente da África do Sul, em 61º lugar no ranking geral. A China aparece em 12º, a Rússia em 45º e a Índia em 46º.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma das responsáveis pela pesquisa, o desempenho brasileiro na área de inovação ainda é ruim. Entre as principais fraquezas, a confederação destaca a formação bruta de capital (que mede o volume de investimento produtivo), a facilidade para abrir uma empresa, a facilidade para obtenção de crédito e a taxa tarifária aplicada.

A CNI ainda avalia que “a colocação brasileira é incompatível” com o tamanho do país, que tem a 12ª maior economia do planeta.

“O crescimento sustentável e a superação da crise agravada pela pandemia de Covid-19 passam pela via da inovação. Uma estratégia nacional ambiciosa, que priorize o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação para o fortalecimento da indústria, tornará a economia mais dinâmica, promovendo maior equidade e bem-estar social”, afirmou Robson Andrade, presidente da CNI, em comunicado.

Segundo ele, investimentos em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) são fundamentais para que o país avance e sua indústria seja competitiva no cenário internacional.”O país carece e muito de políticas de incentivo à inovação e tem sofrido cada vez mais com cortes do financiamento público à agenda de CT&I”, diz o comunicado.

Dados recentes da Unesco mostram que o Brasil investe apenas 1,15% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento, enquanto países como a Suíça e Suécia, que estão em primeiro e segundo no ranking de inovação, investem 3,2% e 3,1% de seu PIB, respectivamente. Os Estados Unidos, em terceiro, investem 2,7%.

Nesse contexto, vale ressaltar a forte queda que a área de desenvolvimento científico (na qual entram subsídios a auxílio estudantil, apoio financeiro a pesquisadores, entre outros fatores) registrou nos últimos anos. De 2014 a 2020, os repasses foram destinados R$ 19,4 trilhões para R$ 1,4 bilhão, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

O Índice Global de Inovação é calculado a partir da média de cinco pilares (Instituições, Capital humano e pesquisa, Infraestrutura, Sofisticação de mercado e Sofisticação empresarial) do subíndice Insumos de inovação e dos dois pilares (Produtos de conhecimento e tecnologia, e Produtos criativos) do subíndice Produtos de inovação, distribuídos em 81 indicadores.

Onde está o crescimento

A CNI aponta que, dos fatores que levaram o Brasil a uma melhor colocação em relação ao ano passado, três foram a retração do PIB, “o que dá uma falsa percepção de avanço em razão do uso dessa medida relativa em alguns indicadores”, diz o comunicado.  Segundo a confederação, apesar da redução de empregados, o PIB foi reduzido drasticamente, dando a falsa impressão de maior produtividade.

Outra razão passa pela inserção de novos indicadores no ranking e a boa atuação empresarial, refletida no desempenho em indicadores como produtos de alta tecnologia e valores recebidos por uso de propriedade intelectual.

Por fim, a CNI destaca que o uso de dados de outros anos e o plano de combate ao backlog (indicador de atividades pendente de finalização) de pedidos de patentes também podem ter contribuído para o ganho de colocações.

O Brasil também continua a ter melhor desempenho em insumos de inovação do que em resultados de inovação, ocupando o 56º lugar (59º em 2020) e 59º (64º em 2020), respectivamente.

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