Brasil tem alta no abate de bovinos e suínos e queda no de frangos no 1º trimestre

resultado ocorre em função do ciclo pecuário do descarte de matrizes – que é a fase em que há mais abate de fêmeas em relação ao total abatido

Rebanho bovino
Rebanho bovino Adepará via Agência Brasil (26.fev.2013)

Iuri Corsinida CNN

Rio de Janeiro

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Na divulgação dos resultados da produção animal no 1º trimestre deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que enquanto o abate, que é a venda do gado para os frigoríficos, de bovinos e suínos aumentou, o de frango diminuiu, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo os dados, o abate de frango recuou 1,7%. Já o abate de bovinos teve alta de 5,5% e o de suínos um crescimento de 7,2%.

Segundo especialista ouvido pela CNN, no caso da carne bovina, o resultado ocorre em função do ciclo pecuário do descarte de matrizes – que é a fase em que há mais abate de fêmeas em relação ao total abatido. Isso ocorre quando a produção de bezerros está maior. Como consequência, o preço dos bezerros diminui e o produtor aumenta a quantidade de abate de vacas, como explica Hyberville Neto, consultor e diretor da HN AGRO.

“O aumento nos abates de bovinos no primeiro trimestre de 2022, frente ao mesmo intervalo de 2021, está relacionado ao momento do ciclo de preços na pecuária de corte. Esse ciclo é influenciado pela rentabilidade dos produtores de bezerros. Quando os preços dos bezerros estão em baixa, como o momento atual, aumenta a venda de vacas e novilhas (produtoras de bezerros) para os frigoríficos, o que gera acréscimo no abate total”, disse.

Em junho deste ano, o preço do bezerro em São Paulo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), está 18,0% menor que no mesmo período de 2021, considerando valores deflacionados pelo IGP-DI. Apesar do aumento anual apontado no 1º trimestre deste ano, este é o segundo menor abate para o trimestre, desde 2010.

Em relação aos suínos, o resultado ocorre apesar da situação ainda apertada dos custos e receitas. Sendo assim, ainda não houve um ajuste de produção que fará com que o abate caia, assim como ocorreu com o frango. Ao contrário do frango, os suínos têm um tempo de ciclo maior e, por isso, os impactos ainda não foram sentidos no abate.

Já sobre as aves, com a alta dos preços dos insumos, como o milho, por exemplo, e diminuição da rentabilidade da atividade desde o início do ano e que se agravou após a guerra na Ucrânia, teve que ser feito um ajuste negativo na produção, o que diminuiu a venda para os frigoríficos (os abates).

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