Brasil tem talentos, mas pouco incentivo, diz ex-coreógrafo de Michael Jackson

Empresários dizem que veem no Brasil muitos talentos em potencial, mas destacam a falta de incentivo no setor de entretenimento

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Ligia Tuondo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Milo Levell e Nicholas Cooper são nomes conhecidos em Hollywood. Especializados em dança e canto, respectivamente, já trabalharam com celebridades como Michael Jackson, Beyoncé, Usher, Katy Perry, Nicki Minaj, Jennifer Lopez e por aí vai.

Em entrevista ao apresentador Phelipe Siani, no Fórum Economia CNN – Os desafios de um Brasil essencial”, os empresários disseram que veem no Brasil muitos talentos em potencial, mas destacam a falta de incentivo que o setor de entretenimento tem do governo e a “mania de comparação” com artistas estrangeiros, o que acaba ameaçando o desenvolvimento de profissionais.

“Posso conseguir US$ 500 mil amanhã do meu governo, nos Estados Unidos, com o plano de negócios certo e a avaliação de crédito correta. Mas, aqui no Brasil, aprendi que não há muito apoio”, diz Levell, que abriu em São Paulo há cerca de cinco anos uma franquia da Millennium Studio Complex, sua escola de dança com sede em Los Angeles, e que é conhecida por ter sido a “casa” de grandes estrelas do pop.

“O que precisamos fazer é criar eventos e conseguir esse dinheiro das grandes empresas, patrocinadoras e criar pequenos bolsões de redes de apoio. Os profissionais do setor estão praticamente por conta própria. Já que não temos esse apoio, nós podemos fazer isso”, disse.

Milo administra a escola de dança, que fica no bairro de Moema, zona sul da capital paulista, com sua esposa, a brasileira Paula Tomazella. Juntos, ele conta que oferecem também bolsas de estudos a pessoas de renda baixa, inclusive de favelas paulistas, com as quais estabelece comparações com comunidades americanas. “A diferença é que, nos Estados Unidos, o governo tem projetos para essas pessoas carentes, que envolvem moradia, comida, dinheiro. Aqui, não vi muito apoio”.

Milo diz ainda que agradece o fato de sua esposa ser brasileira, pois acha que não teria a mesma desenvoltura à frente do negócio aqui. “O Brasil não é para amadores. Ela está no comando, eu apenas a ajudo”.

Parceiro de Milo no setor artístico, o coach artístico de voz Nicholas Cooper veio ao Brasil recentemente para promover um workshop online, o M.Levell Up, que oferece em parceria com a Millennium.

“Notei que tem muito talento aqui, mas, para mim, muitas pessoas com quem tenho interagido nos últimos dias estão olhando para os Estados Unidos. Todos eles querem ser como a Beyoncé ou a Katy Perry, a Nicki Minaj ou Zendaya, as pessoas com quem trabalho, mas não percebem que existem diamantes no próprio quintal. Meu objetivo é mostrar a eles, com nossa equipe, que eles têm uma mina de diamantes bem aqui. E, com as ferramentas adequadas, podemos ensiná-los a minerar”, disse Cooper.

Cooper comentou que o modelo online de workshop foi pensado para o período de pandemia, com o distanciamento social, mas que deve continuar, como uma evolução desse mercado.

“[Essa nova realidade] abriu um mercado, estimulou a inovação de uma maneira totalmente nova. Acho que as pessoas tiveram que pensar mais além e recomeçar”.

“Acredito que o modelo empresarial foi completamente atingido. Acho que todo o modelo está realmente arruinado agora. O novo modelo é a inexistência de um modelo onde é preciso descobrir uma maneira de alavancar as informações que você acumulou e transformá-las em algo arrasador. E acho que, durante a pandemia, as pessoas fizeram isso. E é isso que queremos fazer com o MLevell”.

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