Busca pela palavra “inflação” cresce 50% na internet durante 2º semestre de 2021

Na mídia, as menções subiram 52,2%, enquanto na Câmara dos Deputados subiram 35,5%

Do CNN Brasil Business

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A busca pela palavra “inflação” na internet cresceu mais de 50% no 2º semestre de 2021. O termo também passou a ser mais publicado pela mídia, e até mais usado pelos políticos na câmara dos deputados.

No Google, a busca subiu quase 51%. Na mídia, as menções subiram 52,2%, enquanto na Câmara dos Deputados —ou seja, discursos e documentos—  subiram 35,5%.

Rafael Foscarini, diretor de estratégia da Belo Investment Research, empresa responsável pela pesquisa, diz que uma explicação para a menção menor na Câmara dos Deputados, apesar de ser um assunto que tem preocupado todo o país, pode ser porque é um assunto impopular.

“Só é possível tratar do assunto de forma negativa. Não há outra opção no cenário em que o Brasil se encontra”, comenta Foscarini.

Foscarini acredita que a busca pelo termo vá diminuindo ao longo do tempo, mas que vai seguir, provavelmente, o ritmo de redução dos preços —que deve demorar.

Cenário

A pesquisa foi feita utilizando Inteligência Artificial. A IA da companhia capta a palavra mesmo que hajam erros de acentuação ou de gramática.

“Essa é uma forma de conseguir alcançar a maior quantidade de menções e de buscas, e fazer uma leitura mais completa sobre o comportamento das pessoas”, diz Thais Herédia, analista de economia da CNN

“Essa busca revela que todas as gerações, mesmo aquelas que viveram a época da inflação, foram atrás dessa informação. Tanto para saber se é parecida com o que já vivemos, quanto para aqueles que não viveram entender o que é isso”, explica.

Priscila Yazbek, analista de economia da CNN, complementa: “A inflação chegou a 10,74% em 12 meses, segundo os últimos dados do IBGE— a maior inflação desde 2003. É por isso que esse assunto está tão em voga, e por isso que as pessoas estão se preocupando tanto. Isso deve ressoar também na política, porque este ano temos eleições.”

Yazbek traz uma pesquisa da Genial Quest de dezembro, que indicou que a economia é o principal problema do país de acordo 41% dos entrevistados. Saúde e pandemia ficaram com 19% das respostas. Os maior problemas, para eles, são: desemprego, crescimento econômico e inflação.

Em julho de 2021, esse percentual era diferente: 41% para saúde e pandemia, e 28% para economia.

Daqui para frente

De acordo com as especialistas, o cenário que se desenha daqui para frente é tumultuado.

“Essa inflação deve fechar o ano um pouco abaixo dos 10,74% de novembro, ou seja, uma inflação em 2 dígitos”, diz Priscila.

“O alento que temos, de acordo com o economista  Andre Braz, da FGV (Fundação Getulio Vargas), é que os alimentos podem trazer algum alivio. Teremos boas safras no começo do ano, e isso deve ajudar, principalmente, a inflação para baixa renda que é muito baseada nesses preços.”

Priscila lembra que muitos economistas interpretam a inflação como se fosse “um imposto” sobre a população de baixa renda, já que faz com que esse grupe compre muito menos com a mesma quantia de dinheiro.

Como boa parte da população está trabalhando em situação de informalidade— a taxa no mercado brasileiro é de 40% atualmente — essa população não recebe aumento, nem reajuste de acordo com a inflação. Por essa razão, acabam sofrendo muito com esse aumento de preços.

“Esse tema deve ser um dos grandes destaques para ano de 2022”, finaliza Yazbek.

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