Cenário econômico da América Latina é o pior desde 2020, diz FGV

Levantamento aponta que guerra e inflação indicam clima desfavorável; expectativa é que otimismo continue em queda

Pedestres caminham por rua de Santiago, no Chile
Pedestres caminham por rua de Santiago, no Chile 14/04/2022REUTERS/Ailen Diaz

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Os países da América Latina sentem com força os efeitos negativos da alta inflação e da guerra na Ucrânia. O Índice de Clima Econômico da FGV Ibre, divulgado nesta terça-feira (24), mostra que o otimismo das nações da região caiu de 79 pontos no primeiro trimestre de 2022 para 67,3 no trimestre posterior. Trata-se do pior resultado para o indicador nos últimos dois anos.

A insegurança do cenário econômico só não é maior que a registrada no segundo trimestre de 2020, período em que os países viviam o pior momento da pandemia de Covid-19. Na época, o índice chegou a 41,7 pontos.

Quando o indicador apresenta resultados abaixo de 100 pontos, a pesquisa da FGV sugere uma retração econômica.

Para a formulação do estudo, os principais indicadores avaliados são: Falta de confiança dos empresários, Infraestrutura inadequada, instabilidade política, Falta de mão de obra qualificada e Clima desfavorável para os investidores estrangeiros. De acordo com o levantamento, todos esses índices tiveram queda.

“Quanto mais baixo o indicador estiver, pior está o clima para a economia na América Latina. Na prática, estamos com uma retração econômica persistente desde 2012 no Brasil, que vinha caindo ao longo dos anos”, explicou Lia Valls, economista e pesquisadora do Ibre.

“Em 2020, o clima chegou ao pior patamar já visto, com a pandemia de Covid-19. Passado o pior cenário do coronavírus, o otimismo voltou a subir e achamos que a situação ia melhorar. No entanto, o índice já está caindo novamente. Em nenhum momento nos últimos dois anos, nós conseguimos recuperar os patamares pré-pandemia”, acrescentou.

Entre os países da América Latina, apenas o Uruguai teve bons resultados econômicos em 2022, com 149,6 pontos, influenciado pela alta “competitividade internacional do país”, com produtos no comércio exterior, segundo a pesquisa da FGV.

No outro extremo do ranking, aparece a Argentina, que tem o pior desempenho econômico da região — o país registrou 27,9 pontos no segundo trimestre deste ano —, pressionado pela falta de “Mão de obra qualificada” e dificuldade em superar a pandemia.

Sobre a situação do Brasil, a expectativa é que o cenário piore para os próximos meses, segundo a pesquisadora Lia Valls. Ela aponta a guerra no leste europeu, pressão inflacionária, alta dos juros e instabilidade política como os responsáveis para a manutenção da insegurança no país.

“Devemos continuar com mais queda no otimismo. A expectativa é que um cenário pior nos próximos seis meses. O resultado está baseado nas adversidades econômicas do país, como os juros e a inflação”, disse.

“Temos também a instabilidade política. Todo país em ano eleitoral tem a economia mais comprometida. Além de tudo isso listado, ainda temos a guerra na Ucrânia, que traz insegurança e cria gargalos produtivos para os países”, finalizou Valls.

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