Cenário econômico incerto deve afetar agronegócio em 2022, diz associação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou o balanço do setor em 2021 e trouxe perspectivas para 2022

Colheita de cana-de-açúcar em Pradópolis (SP)
Colheita de cana-de-açúcar em Pradópolis (SP) 13/09/2018REUTERS/Paulo Whitaker

Pedro Zanattada CNN

Em São Paulo

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As incertezas no cenário econômico do país devem impactar o setor agropecuário em 2022, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A entidade prevê uma queda no ritmo de crescimento do agronegócio no ano que vem, quando o setor deverá avançar entre 3% e 5% em relação a 2021. Para este ano, o setor deve fechar com expansão de 9,37% na comparação com 2020, segundo a CNA.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (8) durante a apresentação do balanço de 2021 e as perspectivas para 2022 do setor agropecuário.

O setor foi o grande responsável pela retração na atividade do terceiro trimestre, que levou a economia a uma recessão técnica.

O agronegócio registrou queda de 8% como consequência do encerramento da safra de soja e dos fatores climáticos como, por exemplo, a forte seca que atingiu o campo neste ano. Esses fatores devem continuar preocupando, segundo a CNA.

Custos de produção

Um ponto que foi reiterado durante a coletiva e que tem afetado o agronegócio são os altos custos de produção. A CNA identificou um aumento de mais de 100% nas despesas com fertilizantes e defensivos para culturas como soja e milho e a tendência para o próximo ano é de que este quadro se mantenha.

A variação de custo operacional para o milho, por exemplo, teve uma alta de 65,3%. Em seguida estão o café, com alta de 63,7% e a soja com 62,9%. Entre os insumos agrícolas, herbicidas registraram alta acumulada de 372% em 12 meses.

Para o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, “os insumos aumentaram de forma significativa, o produtor precisou lidar com custos muito mais altos na produção”, disse.

As altas nos fertilizantes e defensivos é resultado de gargalos na logística e cadeia produtiva dos países exportadores destes insumos. O Brasil importa 76% da matéria-prima, e os principais fornecedores — China, Rússia, Belarus e Índia — enfrentam crises energéticas ou políticas que prejudicam a cadeia produtiva.

Fatores que devem ser monitorados

A confederação também destacou fatores que exercem impactos no setor e devem ser observados durante o próximo ano. Entre eles, está a questão da logística, o abastecimento de insumos, e o fenômeno climático La Niña.

Lucchi afirmou que, apesar da tendência de La Niña, a “antecipação do plantio foi tomada. É uma medida que pode resultar em uma boa safra para o ano que vem”.

No campo internacional, o comportamento da Covid-19, os gargalos do transporte marítimo, a oferta global de insumos, a pauta ambiental e o comércio internacional devem ser monitorados.

Além disso, possíveis novas variantes da Covid-19 estão no radar da confederação, uma vez que podem trazer risco para a economia global.

Comércio exterior

Apesar do cenário potencialmente negativo, a expectativa da CNA para as exportações é positiva. Segundo a confederação, o Brasil deve ter uma safra recorde de grãos em 2022, com uma produção de 289 milhões de toneladas, 14% a mais que a safra 2021/22.

Nesse contexto, as exportações por parte da agropecuária devem subir 17,5% ante 2021. Por outro lado, a CNA estima que os envios das indústrias extrativa e de transformação caiam, respectivamente, 26,9% e 1,3%. Já para as importações, os três setores devem ter, respectivamente, queda de 14,3% e altas de 14,3% e 3,4%.

Como já antecipado com exclusividade pela CNN, as exportações do agronegócio bateram recorde no acumulado de 2021 de janeiro a novembro, atingindo o valor de US$ 110,7 bilhões, superando o recorde anterior que era referente a todo o ano de 2018 (US$ 101,2 bilhões). Na comparação com o mesmo período de 2020, o crescimento foi de 18,4%.

Em 2021, os principais produtos que foram exportados pelo setor foram soja em grãos, carne bovina in natura, açúcar de cana em bruto, farelo de soja e carne de frango in natura. Os principais destinos foram China, União Europeia, Estados Unidos, Tailândia e Japão.

Juntos, os cinco mercados responderam por 62% dos consumidores que adquiriram os itens brasileiros. O país onde foi registrada a maior expansão das vendas externas em 2021 foi o Irã (71,3%), com receita de US$ 734 milhões.

O presidente da CNA, João Martins, comentou sobre o veto chinês à carne brasileira. Para Martins “não foi um problema sanitário, mas uma jogada de mercado por parte da China”.

 

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