CNC revê para baixo projeção do crescimento do comércio brasileiro em 2022

Segundo a Confederação, guerra da Ucrânia impacta os dois principais setores varejistas do Brasil: o supermercadista e o de combustíveis

Comércio na região central de Petrópolis
Comércio na região central de Petrópolis Fernando Frazão/Agência Brasil

Nathalia Teixeira*da CNN

no Rio de Janeiro

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O setor do varejo, que já havia sido pressionado pela inflação de 2021, tende a sofrer mais impactos por conta do aumento de preços de combustíveis e alimentos, em decorrência da guerra na Ucrânia.

Por conta disso, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revisou a expectativa de vendas de 2022 para baixo. A projeção inicial era de +0,9%, mas passou para +0,5%.

Os setores de combustíveis e supermercadista representam 48,5% das vendas anuais do varejo.

Com o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, produtos como a gasolina e o diesel são diretamente impactados, o que gera prejuízos a essas áreas.

Ainda segundo a Confederação, a previsão é que o setor supermercadista, o maior do varejo, seja fortemente impactado por pressões de médio prazo decorrentes dos reajustes em commodities agrícolas e de uma possível falta de fertilizantes no mercado, já que a Rússia é um dos principais fornecedores.

Diante do cenário, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, vê com preocupação o provável aumento dos juros, freando ainda mais o crescimento da economia. “Há grandes chances de aumento dessas taxas, o que impacta atividades mais dependentes das condições de crédito”, avalia.

Ainda de acordo com a CNC, o avanço de 0,8% do setor, em janeiro, registrado na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, não foi suficiente para compensar a queda de 1,9% ocorrida em dezembro de 2021. O volume de vendas também seguiu abaixo do nível registrado antes da pandemia (-1%).

Apenas três segmentos do varejo apresentaram faturamento superior ao período pré-pandemia. São eles: farmácia e perfumaria (24,4%), materiais de construção (+9,8%) e lojas de artigos de uso pessoal e domésticos (+3,5%).

Na comparação com o primeiro mês de 2021, o índice registrou queda de 1,9%. Foi a sexta retração interanual consecutiva. Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, essa dificuldade do setor também é justificada pelo aumento dos custos de compra de mercadorias nos últimos meses.

O valor dos produtos comercializados no varejo, segundo a PMC, foi reajustado, em média, em 12,7% entre janeiro de 2021 e o mesmo mês de 2022.

Já os produtos do atacado tiveram reajuste médio de 25,4% no mesmo período, segundo o Índice de Preços ao Produtor, do IBGE. De acordo com Bentes, isso revela defasagem de 50% no repasse dos preços finais cobrados aos consumidores.

“Nesse sentido, todos os segmentos do varejo têm enfrentado pressões de custos, recorrendo a graus de repasses que variam de 19%, no caso de livrarias e papelarias, a 97%, como no comércio automotivo”, observou.

 

*sob supervisão de Helena Vieira

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