Com guerra na Ucrânia, trigo, milho e soja batem recordes de preços, diz consultoria

De janeiro a março deste ano, a alta no preço dos grãos variou entre 20% e 49,5%, segundo levantamento da Safras & Mercados

Elis Barretoda CNN

no Rio de Janeiro

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Um levantamento da consultoria Safras & Mercados, produzido a pedido da CNN, aponta que o milho e a soja atingiram o maior preço dos últimos dez anos, neste mês de março. O primeiro chegou a US$ 7,64 no dia 11, enquanto o segundo atingiu US$ 17,05 no dia 1º.

O trigo ainda bateu o recorde histórico, segundo Safras & Mercados. O grão chegou a ser negociado a US$ 14,25 por bushel (unidade de medida usada como padrão para negociações internacionais dessas commodities), no dia 7 deste mês.

De janeiro a março deste ano, o preço médio dessas mercadorias apresentou uma alta significativa. O trigo teve o maior aumento – 49,5% no período. Já o milho registrou um crescimento de 22,7%, e a soja, uma variação de 20%.

O analista da Safras & Mercado Luiz Fernando Roque afirmou que a movimentação atual nos valores do trigo e do milho se devem principalmente ao conflito na Ucrânia. Já a alta da soja acaba acompanhando as outras commodities.

“A Rússia e a Ucrânia são grandes players no mercado de milho e trigo, ou seja, como eles são grandes produtores e exportadores desses produtos, o conflito deixa uma dúvida no mercado sobre a oferta dessas commodities. No caso da soja, ela já vinha se valorizando em cima das perdas da América do Sul, o conflito apenas pressionou o preço”, explica o analista.

Apesar da invasão russa ao território ucraniano ter acontecido apenas no dia 24 de fevereiro, as tensões por conta do conflito já eram refletidas no mercado na semana anterior.

Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que, de 17 a 23 de fevereiro, o trigo chegou a ter uma alta de cerca de 15%. O milho teve um aumento de cerca de 7%, e a soja, uma alta de quase 5%.

A coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Natália Fernandes, reforçou que o risco de comprometimento do abastecimento de grãos, como trigo e milho, pressionou o mercado.

“A correlação desses mercados nesse momento é maior, mas eles não vinham alinhados dessa forma. Entretanto, o milho e a soja vinham em alta, mas por conta de uma oferta mais apertada. O milho, inclusive, foi afetado pelos problemas climáticos no Brasil e ainda está sendo, com uma quebra significativa no Sul do país”, aponta Natália.

De acordo com dados da balança comercial brasileira, divulgados pelo Ministério da Economia, a agropecuária teve um crescimento de 41,5% nas exportações desta semana em relação à anterior.

A expansão foi puxada, principalmente, pelo crescimento nas vendas dos produtos de trigo e centeio não moídos, que tiveram um aumento de 3.196,2% na média diária, em relação ao mesmo período do ano passado.

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