Com inflação, vendas na Black Friday devem cair pela 1ª vez em 5 anos, diz CNC

Mesmo com crescimento do e-commerce brasileiro, expectativa é que volume de vendas tenha recuo de 6,5% em 2021

Expectativas de inflação para os próximos três anos avançaram para uma mediana de 4,0%
Expectativas de inflação para os próximos três anos avançaram para uma mediana de 4,0% REUTERS/Mark Makela

Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business

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A escalada da inflação deve ter impacto direto nas vendas de fim de ano em 2021. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o volume de vendas da Black Friday deve cair pela primeira vez em 5 anos.

A data deve movimentar R$ 3,93 bilhões no país este ano, projeta a entidade. Caso a estimativa seja confirmada, o faturamento das vendas online e presenciais apresentará crescimento de 3,8% em relação ao 2020. No entanto, ao descontar a inflação o volume terá um recuo de 6,5% — o pior desempenho desde 2016.

A CNC avalia que o ritmo atual da inflação anualizada tem se mostrado um problema à expansão do volume de vendas, ainda que o comércio online tenha ganhado força após o surgimento da Covid-19.

Antes da pandemia, o e-commerce brasileiro crescia a uma taxa anual média de 14,1%. Esse ritmo saltou para 46,2%, segundo levantamento da CNC baseado nas emissões de notas fiscais eletrônicas computadas pela Receita Federal do Brasil.

O presidente da entidade, José Roberto Tadros, afirma que as vendas deste fim de ano ainda são positivas, apesar do cenário.

“A facilidade de comparação de preços online, em um evento caracterizado pelo forte apelo às promoções, incentiva a competitividade e influencia o aumento expressivo da data no calendário do varejo”, analisa.

Principais produtos

A projeção da CNC é de que, neste ano, os segmentos de móveis e eletrodomésticos (R$ 1,105 bilhão) e de eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 906,57 milhões) dominem as vendas da Black Friday.

Eles deverão responder por mais da metade (51,2%) da movimentação financeira prevista.

Outros destaques serão os ramos de hiper e supermercados (R$ 779,09 milhões) e de vestuário, calçados e acessórios (R$ 693,12 milhões).

De acordo com levantamento do economista da CNC Fabio Bentes, os produtos com as maiores chances de descontos efetivos e respectivas variações de preços nos últimos 40 dias são:

  • headsets (-13,0%)
  • perfume feminino (-10,4%)
  • creme hidratante (-7,2%)
  • protetor solar e bronzeador (-4,2%)
  • caixas de som bluetooth (-3,4%)

No entanto, o economista ressalta que, dado o reajuste recente de preços, as chances de descontos efetivos em consoles de videogames e jogos eletrônicos são reduzidas.

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