Confiança do comércio cresce 2% em abril, diz CNC

Feriados e melhora da pandemia impulsionam otimismo dos empresários neste mês

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Feriados prolongados, liberação do FGTS e a flexibilização das medidas restritivas contra a Covid-19. Esses são os principais fatores responsáveis pela alta de 2% na confiança dos comerciantes brasileiros em abril, quando comparado com o mês anterior.

O resultado foi divulgado nesta terça-feira (26) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A percepção otimista dos empresários, segundo a CNC, pode ter sido estimulada pelas vendas na Páscoa, ações e promoções com foco no Dia das Mães, o Carnaval fora de época, expectativas para o pagamento do décimo terceiro salário dos aposentados e o aumento da participação do crédito consignado de 35% para 40% no endividamento pessoal.

Além disso, a entrada na economia dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também anima o mercado, de acordo com o levantamento.

O resultado de abril reverte a tendência dos últimos meses, já que em fevereiro e março de 2022, o indicador caiu 1,2% e 1,3%, respectivamente. Apesar de instável, os resultados apresentam uma melhora, em comparação com 2021.

Comparativamente, no mesmo período do ano passado, o índice havia desabado 9,24%, retratando as incertezas e inseguranças daquele momento, quando as restrições sociais eram rígidas e a pandemia apresentava os piores cenários epidemiológicos.

Para o economista Renan Pieri, da Fundação Getúlio Vagas, o otimismo do setor tem relação com o número de desempregados no país, que recuou 11,2% no último trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O fim das restrições sobre a circulação de pessoas e a retomada do emprego no Brasil são boas notícias para o empresariado. Apesar dos outros problemas econômicos que o país enfrenta, como a inflação, estamos em uma trajetória de investimentos mais altos e com um maior número de empregos. Com mais gente trabalhando, é mais renda circulando e, consequentemente, mais gente consumindo”, finalizou Pieri.

De acordo com a CNC, o otimismo dos empresários cresceu em todas as regiões do Brasil, com destaque para o Norte, com um crescimento de 3,8%.

Logo em seguida aparece o empresariado do Centro-Oeste, com os efeitos positivos do crescimento do setor agropecuário e da alta das commodities.

Já a principal área produtiva do país, o Sudeste, registrou um crescimento menos expressivo: 1,7%.

A pesquisa aponta ainda que a confiança no Brasil foi puxada pelas empresas de pequeno porte, na qual os empresários aumentaram o otimismo em 2,1%.

As multinacionais, com mais de 50 empregados, mantêm o otimismo estagnado.

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