Confiança dos empresários volta a crescer em dezembro, aponta CNC

Apesar do indicador favorável para o mês, setor ainda está receoso quanto aos investimentos para vendas, devido aos impactos da pandemia

Com a elevação, o indicador atingiu 120,3 pontos, alcançando patamar próximo ao de abril do ano passado
Com a elevação, o indicador atingiu 120,3 pontos, alcançando patamar próximo ao de abril do ano passado Romain V / Unsplash

Lucas JanoneCamille CoutoBeatriz Puenteda CNN

Rio de Janeiro

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Depois de três quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), indicador mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresentou alta de 0,3% em dezembro. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (15).

Com a elevação, o indicador atingiu 120,3 pontos, alcançando patamar próximo ao de abril do ano passado, quando a economia apresentou retração por conta da implementação das medidas sanitárias restritivas impostas pela Covid-19.

Na escala, 100 é o nível de neutralidade: abaixo dele, é percebido como em perspectiva negativa e, acima, positiva. Apesar da alta, o índice ainda está distante do patamar pré-pandemia, de 128,5 pontos. Ao longo de 2020, a queda foi de 13,2%.

Ao longo do ano vigente, o indicador caiu em oito dos 12 meses analisados. Segundo a CNC, o crescimento da confiança empresarial em dezembro pode estar relacionado às expectativas de consumo para o Natal, bem como à celebração das festas de fim de ano, apesar de o faturamento da Black Friday ter sido pouco satisfatório.

A pesquisa mostra que os comerciantes ainda estão cautelosos com o comportamento da demanda, que ainda não retomou totalmente, segundo a Confederação.

A alta do dólar, dos juros, a baixa capacidade de recuperação do mercado de trabalho e as incertezas em relação ao novo programa de transferência de renda também impactaram a confiança.

As pressões sobre custos de produção, como energia elétrica, fretes e produtos mais caros também deixam os empresários mais inseguros, sobretudo, para a gestão dos estoques.

“Podem existir perspectivas de que boa parte do 13º salário seja direcionada para o consumo no comércio, simultaneamente, as pressões sobre custos de produção do setor, como energia elétrica, fretes, produtos mais caros e o recente aumento dos juros requerem atenção, sobretudo, para a gestão dos estoques.

Estes fatores ensejam a formação de um cenário de condições econômicas pouco mais restritas, difíceis, afetando a confiança”, diz um trecho do estudo.

O comportamento do índice varia entre as regiões. Enquanto no Nordeste se manteve estável entre novembro e dezembro, no Sudeste e no Norte houve aumento de 1,4% e 0,6%. No Centro-Oeste e no Sul, o indicador ficou respectivamente em -0,9% e –1,5%.

Essa divergência, segundo a pesquisa, ocorre por conta de questões climáticas típicas de cada local, expectativa de demandas e preço em cada um desses lugares.

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