Copom reage a riscos fiscais, acelera alta de juros e Selic vai a 7,75% a.a.

Esta é a terceira vez consecutiva que o BC opta por um avanço mais incisivo na taxa do que o de costume

Anna Russido CNN Brasil Business

em Brasília

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De acordo com a aposta majoritária do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) acelerou o ritmo de alta da taxa básica de juros. Na penúltima reunião de 2021, nesta quarta-feira (27), o Copom elevou a Selic em 1,5 ponto percentual, de 6,25% ao ano para 7,75% a.a.

Esta é a terceira vez consecutiva que o BC opta por um avanço mais incisivo do que o de costume – abaixo de 1 ponto percentual -, mas é a sexta alta seguida na taxa. Com isso, a Selic se aproxima do patamar do fim de 2018, quando a taxa estava entre 8% a.a. e 7% a.a., antes do ciclo de queda consecutivas iniciado em julho de 2019 e interrompido no início deste ano.

“O Copom considera que, diante da deterioração no balanço de riscos e do aumento de suas projeções, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante. Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance ainda mais no território contracionista”, diz o comunicado do Comitê.

O objetivo do BC com uma alta mais incisiva é sinalizar para o mercado o seu compromisso com a meta de inflação no horizonte relevante, que abrange os anos de 2022 e 2023. Isso porque os agentes financeiros olham com desconfiança para a situação econômica e fiscal do país, ameaçada pela revisão do teto de gastos prevista na PEC dos Precatórios e pela criação do Auxílio Brasil com benefício de R$ 400.

Além disso, também influenciou a decisão do Copom a surpresa com a prévia da inflação de outubro, que atingiu 10,34% em 12 meses. Agora, o esforço principal do Copom é para com o recuo nas projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o próximo ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para perseguir a meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para este ano, a meta é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, podendo oscilar entre 2,25% e 5,25%. No ano que vem, o centro da meta é de 3,5%, com a mesma margem (2% e 5%).

Os analistas do mercado financeiro, no entanto, já esperam inflação em 8,96% em 2021 e 4,40% em 2022, de acordo com o Relatório Focus. Com isso, a expectativa é de uma Selic em 8,75% a.a. até o fim deste ano e 9,5% a.a. no ano que vem.

Selic / CNN Brasil

Selic pode fechar a 9,25%

Por outro lado, o Copom já sinaliza nova alta de mesma magnitude, ou seja, de mais 1,5 ponto percentual, na próxima reunião, a última do ano, que ocorrerá em 7 e 8 de dezembro de 2021.

“O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, destaca a nota do Comitê.

Outro cenário que contribui para o aperto da política monetária é a piora nas expectativas de crescimento econômico para 2022. Enquanto a mediana do mercado, de acordo com o Boletim Focus, está em avanço de 1,40%, algumas instituições financeira, como o Itaú, já esperam recessão da atividade econômica no próximo ano.

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