Corretora de criptoativos Coinbase pode valer US$ 140 bi após oferta de ação

Maior corretora de criptoativos do mundo finalmente começará a ofertar suas ações na Nasdaq nesta quarta-feira (14), e os números são assustadores

Foto: André François McKenzie/Unsplash

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A Coinbase Global, maior corretora de criptoativos do mundo, finalmente começará a ofertar suas ações na Nasdaq nesta quarta-feira (14), e os números são assustadores. “Na última negociação, a empresa havia sido cotada em US$ 89 bilhões, o que dá cerca de US$ 350 por ação”, diz Guilherme Zanin, estrategista da Avenue Securities.

“Agora, em uma pré-negociação um dia antes da listagem, os papéis estão sendo negociados acima de US$ 630, o que quer dizer que a empresa pode estrear valendo mais de US$ 140 bilhões. Isso é duas vezes o tamanho da NYSE [Bolsa de valores de Nova York] e sete vezes a B3 [bolsa brasileira]. A demanda está muito grande.”

Não se trata exatamente de um IPO, já que a listagem será feita de forma direta –com investidores e funcionários convertendo suas participações em ações–, mas o resultado prático será parecido: os papéis da empresa passarão a ser negociados em Wall Street.

Este movimento tem empolgado, como é possível ver acima, os dois lados da história. Para os entusiastas dos criptoativos, o sucesso da Coinbase é mais uma prova da força do mercado. E, para aqueles que ainda não querem investir diretamente nos criptoativos, permite uma exposição indireta.

Um exemplo claro disso é a valorização do bitcoin, que vem batendo recordes consecutivos e superou a marca dos US$ 63 mil nesta terça-feira (13). Zanin explica, entretanto, que o mercado também tem motivos de sobra para acreditar no sucesso da empresa por conta dos resultados que vem apresentando.

Empresa

De acordo com prospecto entregue à SEC, a CVM americana, a Coinbase teve receita líquida de US$ 1,14 bilhão em 2020, valor que subiu para US$ 1,8 bilhão apenas no primeiro trimestre de 2021. A empresa também registrou lucro líquido superior a US$ 730 milhões nos três primeiros meses deste ano, após registrar prejuízo em 2019 e lucro de US$ 322 milhões em 2020.

A corretora declarou, ainda, que tinha 43 milhões de usuários verificados no final de 2020, com 2,8 milhões fazendo transações mensais, número que saltou para 56 milhões ao final de março. Para efeitos comparativos, a B3 possuía, ao final de 2020, 3,2 milhões de usuários. Os negócios de bitcoin e ethereum representam 56% do volume de negócios na plataforma.

O analista Guilherme Zanin explica que a plataforma ainda possui algumas vantagens competitivas. Como o mercado de criptoativos é mais fragmentado, ela ganha por ser a empresa mais reconhecida do meio e consegue cobrar taxas mais altas de corretagem, algo que as empresas que vendem ações já não conseguem fazer.

A comissão começa em 0,5% e pode até subir conforme as condições do mercado –lembrando que há negociação ininterrupta dessa classe de ativos.

Mercado

A oferta pública da Coinbase ocorre em meio a um boom de criptomoedas em geral, com o bitcoin, em particular, ganhando mais aceitação entre as principais empresas e investidores e superando a barreira dos US$ 60 mil. Até grandes companhias, como a Square e a Tesla, vêm comprando o ativo nos últimos meses.

“Existe um grande interesse de acessar este mercado por parte dos investidores. Alguns têm dúvidas, outros, como gestores de fundos, não podem investir em cripto por conta de questões regulatórias. A expectativa é que a empresa se torne uma forma indireta de investir nesse tipo de ativos”, diz Zanin.

“Do lado da empresa, o contrário também é válido. A Coinbase já disse que tinha outras formas de levantar capital, mas ir à bolsa traz credibilidade, algo que, do ponto de vista de alguns, ainda falta aos criptoativos. A listagem traz também visibilidade, o que pode atrair ainda mais clientes.”

E aqui, quando se fala de clientes, é claro que a empresa olha para o varejo, mas os investidores institucionais são o grande alvo. A companhia já conta com a carteira da Tesla, de US$ 1,5 bilhão, e quer reforçar a tendência. “Além de ser mais volume, é um dinheiro mais estável”, explica Zanin.

Imbróglio

Antes que o processo fosse concluído em março, a empresa enfrentou problemas. A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, em inglês) multou a corretora em US$ 6,5 milhões por apresentar dados de transações enganosos que potencialmente inflaram o volume de negociação em sua plataforma profissional GDAX.

Além disso, o regulador afirmou, no âmbito da punição, que um ex-funcionário da empresa teria realizado “wash trading”, que é o ato de vender e comprar simultaneamente os mesmos ativos para criar atividade artificial e enganar o mercado, em 2016. À época, a agência de notícias Bloomberg afirmou que havia outras investigações em curso.

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