Crise na Ucrânia vai exigir alta nos combustíveis pela Petrobras, diz economista

À CNN, André Braz afirmou que alta do petróleo ainda supera desvalorização do dólar, o que deve levar a novos aumentos nos combustíveis

Ludmila Candalda CNNJoão Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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As tensões entre Ucrânia e Rússia têm gerado altas no preço do petróleo nas últimas semanas, e a tendência é que a Petrobras precise subir os preços dos combustíveis em algum momento para refletir esse movimento, impactando na inflação, segundo o economista da FGV e analista de inflação André Braz.

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (23), Braz afirmou que “a crise na Ucrânia vem trazendo aumentos no barril do petróleo que cedo ou tarde vão acabar exigindo que a Petrobras faça um novo reajuste”.

Para o economista, mesmo a desvalorização do dólar desde janeiro de 2022 não será suficiente para evitar algum nível de alta de preços, já que o aumento no preço do petróleo superou esse movimento.

Ele avalia que “a situação no câmbio é bem-vinda porque mitiga pressões inflacionárias, mas a gente tem dúvidas sobre a duração desse evento, exatamente porque os riscos dentro da nossa economia continuam presentes, e à medida que as eleições se aproximam, os candidatos colocam suas propostas, pode mudar o comportamento da taxa de câmbio”.

As pressões inflacionários no país seguem fortes, de acordo com Braz, como indicado pelo resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de fevereiro, que veio “muito acima das nossas expectativas”.

“É uma taxa elevada para o mês de fevereiro. Uma parte desse resultado vem do reajuste das mensalidades escolares que é contabilizado pelo IBGE sempre em fevereiro e teve um impacto importante pela aceleração da inflação”, afirma.

Dentre os segmentos que chamaram a atenção do economista, Braz cita os alimentos, em especial os in natura. “Subiram muito, mas tem a ver mais com um evento sazonal, que pertence ao verão, exatamente por essa ocorrência de Sol intenso, chuva forte, que acabam alterando a oferta desses produtos”.

Segundo ele, uma vez que esses eventos climáticos típicos dessa época do ano passem, “os preços devem se acomodar em patamares mais baixos, porque o ciclo de produção é rápido, as lavouras se recuperam”.

Uma surpresa negativa, porém, foram os bens duráveis, que subiram consideravelmente no mês de fevereiro.

O economista da FGV afirma que “isso mostra o espalhamento das pressões inflacionárias, que persistem em torno dos bens duráveis, e a cada mês que passa e o Copom reavalia a taxa de juros, fica mais difícil compra rum bom durável de alto valor, exatamente porque a taxa de juros em elevação reduzem o interesse do consumidor”.

“Mesmo com isso, os preços seguem avançando, talvez por conta de gargalos que ainda existem na estrutura produtiva, dificultando acesso para suprimentos na produção desses itens, e também pelo aumento de preço da energia elétrica e do diesel, que subiram muito nos últimos 12 meses e acabam pressionando a estrutura produtiva das empresas”, avalia.

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