Cruzeiros cancelados afetam 45 mil pessoas; empresas negociam retorno em 22/1

Associação do setor abriu negociação com 4 ministérios, cidades, estados e Anvisa

Pedro Duranda CNN

Rio de Janeiro

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A Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros (CLIA) já começou uma rodada de negociação com autoridades das três esferas para destravar a continuidade da temporada de cruzeiros no país suspensa até 21/1.

O plano é revisar, reformar e repactuar protocolos pra retomar as viagens a partir de 22 de janeiro. Para isso, a CLIA já negocia com autoridades sanitárias locais, federais e quatro ministérios: Casa Civil, Saúde, Infraestrutura e Turismo.

“[O ministério da] Casa Civil e o ministério da Saúde fizeram reunião com os secretários da saúde dos destinos, municípios e estados, a gente hoje está conversando com os estados e municípios, eu já falei agora de manhã com três, a gente deve continuar falando ao longo dessa semana, muito provavelmente a gente vai ter uma reunião nessa semana na Anvisa, grandes parceiros nossos”, afirmou à CNN o presidente da CLIA, Marco Ferraz.

“A gente quer tentar resolver isso o quanto antes possível, nessa semana ou no máximo na semana que vem, pra voltar a operar a partir do dia 22”, completou.

A estimativa da CLIA é de que as três semanas de paralisação tenha afetado 45 mil pessoas que fariam um dos 15 roteiros semanais de cinco navios, três da MSC e dois da Costa. A MSC ainda não se pronunciou sobre as alternativas aos passageiros.

A Costa já afirmou que eles poderão ter um voucher para viagens futuras ou o reembolso do valor pago para o passeio cancelado.

“Esses passageiros podem reacomodar pro resto da temporada se a gente voltar a operar, porque eles serão muito importantes pra gente voltar a operar, e economicamente falando a gente estava esperando um impacto de R$ 1,7 bilhão para a temporada. […] Um navio gera quase 5 mil empregos em terra, então se a gente interromper mesmo a temporada, a gente tá afetando mesmo o trabalho de muitas pessoas, são 24 mil empregos que a gente estava gerando durante a temporada”, explica Ferraz.

Neste momento a CLIA não estuda com a possibilidade de antecipar o retorno para antes do dia 22, mesmo com o acordo em torno dos protocolos, e também não prevê estender a temporada para além de meados de abril, quando os navios de cruzeiros retornarão para a Europa. Enquanto eles não circularem, vão ficar os cinco atracados no Porto de Santos.

Explosão de Casos

A mudança de tom da Anvisa sobre os cruzeiros veio no dia 31/12 após a agência identificar surtos de Covid-19 em dois navios. Mas na primeira semana de 2022 o problema se agravou e todas as cinco embarcações tiveram casos, 60% deles entre os tripulantes.

Nos primeiros 55 dias da temporada foram detectados 31 casos nos navios. Mas logo depois do Natal, em nove dias, foram detectados 798 casos. O salto fez a Anvisa contraindicar embarques até a revisão das regras.

Mas a decisão das empresas de cancelarem voluntariamente a operação por três semanas veio antes mesmo da decisão do governo, que já sinalizava que não interromperia as viagens. Acontece que a maior pressão veio de autoridades municipais, com imbróglios no desembarque de passageiros em pelo menos três ocasiões.

Recusa da Bahia

Em meio ao boom de casos, o governo da Bahia decidiu impedir o atracamento de navios de cruzeiros, inviabilizando embarques e desembarques. Uma nota técnica do governo baiano obtida pela CNN responsabiliza a decisão ao estado de calamidade provocado pelas chuvas.

“O Centro de Informações Estratégicas do Estado da Bahia CIEVS/SUVISA/SESAB informa que, no momento, não possuímos condições de dar continuidade às operações de Cruzeiros nos portos do estado devido a situação de emergência em diversos municípios do estado da Bahia e o perfil de risco que as embarcações podem representar.

Dessa forma, solicitamos que a Anvisa suspenda preventivamente as operações de Cruzeiros nos portos do Estado, até que haja mudança no cenário estadual”, diz o documento.

Ilhéus e Salvador, são, no entanto, cruciais para a operação no país na visão de interlocutores das empresas. Uma alternativa estudada seria remanejar as rotas enquanto o estado de calamidade perdurasse, transferindo embarques e desembarques para o Porto de Maceió, em Alagoas.

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