Desemprego cai a 13,2% no trimestre até agosto; grupo sem carteira sobe 23% no ano

No trimestre encerrado em julho, a taxa havia sido de 13,7%; dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE

Ligia Tuondo CNN Brasil Business

São Paulo

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A taxa de desemprego no Brasil foi de 13,2% no trimestre encerrado em agosto, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número mostra melhora em relação aos 13,7% registrados no trimestre até julho, mas 13,7 milhões de pessoas ainda estão sem emprego no país.

Em relação ao resultado de maio, quando a taxa era de 14,4%, a queda é de 1,4 p.p..

Taxa de desocupação (%)
Taxa de desocupação (%) / IBGE

Já em relação a agosto do ano passado, quando a taxa de desemprego foi de 14,4%, a queda é de 1,3 ponto.

De junho a agosto, o grupo de pessoas ocupadas ganhou 3,4 milhões de pessoas, uma alta de 4%, para 90,2 milhões. Esse avanço fez com que o nível de ocupação subisse 2 pontos percentuais no período, para 50,9%.

Ou seja, mais da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país. Em um ano, o contingente de ocupados avançou em 8,5 milhões de pessoas.

A ocupação foi impulsionada pelo aumento de 1,1 milhão de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, uma alta de 4,2% no grupo, que totaliza agora 31 milhões de pessoas.

Os postos de trabalho informais também avançaram, com a manutenção da expansão do trabalho por conta própria sem CNPJ e do emprego sem carteira no setor privado. “Inclusive, isso fez com que a taxa de informalidade subisse de 40% no trimestre encerrado em maio para 41,1%, no trimestre encerrado em agosto, totalizando 37 milhões de pessoas”, destaca o IBGE.

O trabalho informal inclui trabalhadores sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores familiares auxiliares.

“Parte significativa da recuperação da ocupação deve-se ao avanço da informalidade. Em um ano a população ocupada total expandiu em 8,5 milhões de pessoas, sendo que desse contingente 6 milhões eram trabalhadores informais”, explica a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, em nota de divulgação.

O Instituto ressalta ainda que, embora tenha havido um crescimento bastante acentuado no período, o número de trabalhadores informais ainda se encontra abaixo do nível pré-pandemia e do máximo registrado no trimestre fechado em outubro de 2019, quando chegava a 38,8 milhões de pessoas.

Empregados sem carteira assinada crescem 23% no ano

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado totalizou 10,8 milhões de pessoas, uma alta de 10,1% no trimestre. O grupo ganhou 987 mil trabalhadores.

Já na comparação anual, a alta foi maior, de 23,3%, ou 2 milhões de pessoas no ano. Essa variação é a maior da série histórica, em termos percentuais e absolutos, na comparação anual, ressalta o IBGE.

O trabalho por conta própria continua subindo, com alta de 4,3% no de um trimestre para o outro — um aumento de 1 milhão de pessoas num grupo que totaliza agora um recorde de 25,4 milhões de pessoas.

Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, esse contingente avançou 18,1%,  que corresponde a 3,9 milhões de tabalhadores a mais.

Rendimento médio recua

Apesar do crescimento da população ocupada no trimestre até agosto, o rendimento médio real dos trabalhadores recuou 4,3% frente ao trimestre encerrado em maio e 10,2% na comparação anual, ficando em R$ 2.489.

“Foram as maiores quedas percentuais da série histórica, em ambas as comparações. A massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, ficou estável, atingindo R$ 219,2 bilhões”, disse o instituto.

“A queda no rendimento está mostrando que, embora haja um maior número de pessoas ocupadas, nas diversas formas de inserção no mercado e em diversas atividades, essa população ocupada está sendo remunerada com rendimentos menores. A ocupação cresce, mas com rendimento do trabalho em queda”, explica Beringuy.

Grupo dos subutilizados recua; subocupados têm recorde

O contingente de pessoas subutilizadas, aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial, recuou 5,5% na comparação trimestral, para 31,1 milhões. Com isso, a taxa composta de subutilização recuou 1,9 ponto percentual, para 27,4%.

Considerando só o número de trabalhadores subocupados — aqueles que trabalham menos horas do que poderiam trabalhar –, houve recorde de 7,7 milhões de pessoas, alta de 4,7%, com mais 343 mil pessoas no período. Em relação ao ano anterior, o indicador subiu 29,2%, quando havia no país 6 milhões de pessoas nessa situação.

Ocupação avança em seis das dez atividades econômicas

O crescimento da ocupação no trimestre até agosto avançou na maioria dos agrupamentos de atividades econômicas, com destaque para o aumento de 1,2 milhão de trabalhadores no segmento de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (7,8%) e de 578 mil na indústria geral (5,3%), disse o IBGE

A única redução foi registrada na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,2%).

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, esse crescimento foi ainda mais disseminado, diz o instituto. Das 10 atividades, nove avançaram na ocupação, com destaque para comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,7 milhão), construção (1,3 milhão) e indústria (991 mil).

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