Dieese: Comércio registra alta de 87% em desligamentos por morte no 1° semestre

Números apontam crescimento no primeiro semestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado

Queda maior da taxa de desemprego ainda deve demorar, diz economista
Queda maior da taxa de desemprego ainda deve demorar, diz economista REUTERS/Amanda Perobelli

Thayana Araújoda CNNIuri Corsini

no Rio de Janeiro

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O comércio brasileiro teve 57.862 desligamentos por morte em trabalhadores com carteira assinada, de janeiro a junho de 2021. O número representa um aumento de 87% nos desligamentos por morte contabilizados no mesmo período do ano passado. O saldo mais impactante foi entre vendedores do comércio atacadista.

A alta foi de 204% em relação a 2020. Os dados foram divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Na comparação por estados, o único que não registrou aumento neste tipo de desligamento foi o Amapá, que apresentou recuo de 17%. Já o Paraná foi o estado que teve o maior registro de aumento de desligamentos por morte no país, com avanço de 175% frente ao mesmo período do ano passado.

O mês em que houve maior número de contratos encerrados em decorrência da morte do trabalhador foi em abril deste ano, com 11.963 desligamentos. Mais do que o dobro do registrado em abril de 2020. No comércio, na comparação entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período do ano passado, o Dieese registrou que os desligamentos ocorridos por essa causa aumentaram 99% no atacado e 92% no varejo.

Detalhamento por ocupação

O maior número de desligamentos por morte computados em 2021 ocorreu entre vendedores do comércio varejista. Foram 1.601 — um aumento de 117% em relação ao mesmo período do ano passado. Depois, aparecem os operadores de caixa, com 565 desligamentos registrados (107% a mais que 2021), seguidos por motoristas de caminhão, com 541 encerramentos (variação de 121%).

A ocupação que menos contabilizou desligamentos por mortes foi a de recepcionista (42), seguida de atendentes de lanchonete (64) e promotores de vendas (90). Em todas as ocupações foi observado aumento de rescisões contratuais em decorrência da morte dos trabalhadores.

Possíveis impactos da pandemia

Apesar de não especificar as causas das mortes, a pandemia pode ter tido impacto significativo no número de desligamentos por mortes. Os meses de janeiro e fevereiro de 2021 tiveram mais registros de desligamentos do que os meses de janeiro e fevereiro do ano passado, período pré-pandêmico.

Enquanto em janeiro de 2020 foram 4.599 desligamentos por morte, em janeiro deste ano foram 6.503. Em fevereiro do ano passado foram 4.085 desligamentos e em fevereiro de 2021 foram 5.851 registros.

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