Economia com reforma administrativa poderia gerar investimentos ao país

Segundo especialista, valor economizado com reforma poderia ser usado, por exemplo, na construção de hospitais ou em projetos de saneamento

Da CNN Brasil

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Com uma previsão de déficit de R$ 95 bilhões nas contas públicas em 2021, o cenário de altas despesas faz o governo federal buscar alternativas para economizar, e tornar as despesas mais eficientes. Uma delas é a realização da reforma administrativa.

Segundo Caio Paes Andrade, secretário especial de Desburocratização, o governo gasta atualmente R$ 8,3 bilhões com 69 mil servidores públicos cujas funções são consideradas obsoletas, o que ele considera um “absurdo”.

Comparativamente, o Ministério de Infraestrutura teve um orçamento em 2021 para realização de obras de R$ 6,7 bilhões. “A gente gasta mais com esses servidores, que são obsoletos, do que com estradas, pontes”, afirma.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) prevê uma economia de cerca R$ 130 bilhões em dez anos com uma boa reforma administrativa. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) tem uma projeção de economia de R$ 200 bilhões, em um cenário conservador.

O economista Gesner Oliveira afirma que, com essa economia, poderiam ser construídos entre 1,9 mil e 2,86 mil hospitais públicos, ou instalar coleta de esgoto para até 115 milhões de brasileiros. O valor economizado também ajudaria a custear até 2,2 anos do Auxílio Brasil, benefício social do governo.

“Nós temos cerca de metade da população com algum grau de insegurança alimentar. Neste país, não fazer os cortes necessários em uma máquina pública paquidérmica é realmente um crime”, afirma Oliveira.

Entretanto, a reforma atual tem sofrido resistência no Congresso. O consenso, porém, é que algum tipo de mudança é necessária.

Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústria de Minas Gerais (Fiemg), diz que “nós entendemos a reforma administrativa como essencial para projetar o futuro do Brasil, definir o tamanho do Estado que a gente gostaria e a eficiência do Estado”.

Para Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), uma reforma que tornasse a máquina pública mais enxuta, com um serviço público mais eficiente, seria um “grande passo para o equilíbrio das contas públicas”.

A expectativa é que a reforma também traga uma melhora para a economia brasileria. Segundo José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), “o Brasil não irá crescer, gerar bons empregos, se não encararmos a reforma administrativa”.

Na visão do governo, a reforma administrativa é uma ferramenta de gestão essencial para o desenvolvimento do país.

“Quando nós temos mais capacidade de investimento, nós compramos mais carros para a polícia, compramos melhores armas, nós fazemos escolas melhores, colocamos melhores equipamentos dentro das escolas, fazemos melhores hospitais”, diz Caio Paes Andrade.

Ele afirma que o gasto com funcionários públicos maior que o retorno a partir das ações deles representa um “desserviço para a sociedade”.

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