Economistas esperam alta de 1 ponto na taxa Selic, para 12,75% ao ano

Comitê do Banco Central se reúne nesta semana e anuncia na quarta-feira (4) os novos juros básicos do país

Pessoas passam em frente à sede do Banco Central em Brasília
Pessoas passam em frente à sede do Banco Central em Brasília 25/08/2021 REUTERS/Amanda Perobelli

Juliana Eliasdo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Mesmo com a inflação se mostrando a cada mês persistente, economistas e analistas esperam poucas surpresas vindas do Banco Central nesta semana, quando a autoridade monetária decide a nova taxa de juros do país.

A Selic está atualmente em 11,75%, e é consenso no mercado que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC fará um novo aumento de 1 ponto, conforme o próprio colegiado já havia sinalizado na última reunião, em março. Com isso, a taxa deve ir para os 12,75% ao ano, o maior nível desde janeiro de 2017.

O Copom anunciará na quarta-feira (4) a sua decisão sobre a Selic.

“O Banco Central vai manter aquilo que prometeu, isso já está contratado”, disse o economista-chefe da Infinity Asset Management, Jason Vieira. “Mas, dada as pressões e o não arrefecimento da inflação, ele deve dar esse aumento agora, avaliar os efeitos e, depois, pode repensar o assunto.”

Atualmente, a projeção da Inifinity é que o BC suba os juros mais uma vez depois, em 0,5 ponto, estacionando a taxa nos 13,25% até o final do ano, embora, em 2023, ela possa voltar a subir até os 14%.

Desde o último ajuste da Selic, em 16 de março, os choques causados pela invasão da Rússia à Ucrânia, no fim de fevereiro, ganharam corpo e intensificaram a inflação no mundo todo, por meio de pressões nos preços da energia e dos alimentos.

No Brasil, os combustíveis tiveram reajustes fortes, a inflação ficou ainda mais disseminada e seguiu batendo recordes: em abril, a prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrou a maior alta para o mês desde 1995 e elevou o acumulado em 12 meses para os 12%. Em 2021, o IPCA fechou o ano em 10%.

Os novos bloqueios na China, após o aumento no número de casos de Covid-19 no país, também entraram para o radar global, já que as operações mais lentas nas cidades e portos do país também prometem atrapalhar a oferta de produtos e pressionar ainda mais os preços.

Revisão das projeções

Essa piora de cenário levou a uma onda de revisões nas mesas de análise de bancos, corretoras e consultorias, que já falam em uma inflação acima dos 7% ao fim de 2022. As projeções no começo do ano ficavam na faixa dos 5% aos 6%.

“A grande questão desta reunião [do Copom] não é de quanto será a alta na Selic, mas o que eles vão decidir para frente: encerrar o ciclo ou fazer novos aumentos?”, diz a economista-chefe da Panamby Capital, Tatiana Pinheiro.

“O cenário inflacionário piorou muito de março para cá e o quadro de riscos internacionais também não melhorou. Cabe, sim, uma extensão do ciclo, mas provavelmente em um ritmo menor”, acrescentou.

Sem pressa

Para o economista Pablo Spyer, há outros fatores que ajudam o BC a não precisar acelerar agora as altas que já vem realizando gradativamente na Selic desde março do ano passado.

“O BC fez a lição muito bem feita no ano passado ao começar os ajustes cedo e fazer o maior aumento de juros do mundo. A taxa subiu de 2% para 9,25% [em 2021]”, disse Spyer, que é sócio da XP Inc.

O IGP-M veio um pouco melhor, o dólar também caiu bastante, mesmo que agora esteja voltando para os R$ 5, e o emprego ainda está demorando para andar. Isso acalmou um pouco as projeções para a inflação”, acrescentou.

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