Entenda o que fez o dólar valorizar 7,5% em uma semana

Moeda foi de R$ 4,62 para R$ 4,97 entre 20 e 27 de abril

Especialistas acreditam que dólar deve seguir em queda nos próximos meses
Especialistas acreditam que dólar deve seguir em queda nos próximos meses 16/05/2016REUTERS/Kham/File Photo

Artur Nicocelido CNN Brasil Business

em São Paulo

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Desde 20 de abril, o dólar registra alta de 7,57%. Nos últimos sete dias, a moeda subiu de R$ 4,62 para R$ 4,97 (fechamento desta quarta-feira). Diversos aspectos macroeconômicos e o cenário fiscal foram os responsáveis pela desvalorização do real.

Um dos principais motivadores é a política mais dura (chamada de hawkish) do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos), aponta Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos. Ele destaca que os juros mais altos nos EUA elevam a atratividade de se investir em renda fixa norte-americana, o que tende a aumentar os recursos no país, beneficiando a moeda.

O Federal Reserve deve promover uma alta de 0,50 ponto percentual nos juros em maio e dois ajustes ainda maiores nas reuniões subsequentes, conforme apostas de operadores, um dia após o chair do banco central, Jerome Powell, sinalizar que estaria aberto a intensificar o início do processo de saída pelo Fed de sua política monetária ultrafrouxa.

Alguns economistas também estão projetando um aperto mais intenso na política monetária. Vale destacar que o movimento do banco central dos EUA faz com que os investidores não tenham interesse por mercados emergentes como o Brasil.

Carlos Macedo, economista e especialista em alocação de investimentos na Warren, afirma que os movimentos de lockdown na China também tendem a desvalorizar o real frente ao dólar porque diminui a demanda por commodities brasileira. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil. “Movimento contrário ao que aconteceu no começo da guerra entre a Rússia e a Ucrânia”.

As autoridades de Xangai, que lutam contra um surto de Covid-19, ergueram cercas do lado de fora de prédios residenciais, provocando novos protestos públicos contra o lockdown que está forçando grande parte dos 25 milhões de habitantes da cidade chinesa a ficar dentro de casa.

Enquanto isso, o maior distrito de Pequim exigirá que todos que moram ou trabalham na área façam três testes de Covid nesta semana e isolou mais de uma dúzia de prédios depois que a capital chinesa registrou 22 novos casos no sábado. O distrito, Chaoyang, abriga 3,45 milhões de pessoas.

Cenário interno

Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, afirmou ainda outro aspecto pode estar influenciando na valorização do dólar: o cenário fiscal. “Com a incerteza de quanto o governo irá gastar, os investidores internacionais temem investir no Brasil e perder ganhos”, o que desvaloriza a moeda brasileira.

O assunto já estava no radar do mercado há tempos, mas tinha perdido os holofotes, até que voltou nos últimos dias com o governo federal apontando que irá avaliar ceder mais de 5% no reajuste linear por meio de aumento em vale-alimentação e diárias de viagens, após servidores públicos demonstrarem insatisfação com a porcentagem.

O secretário especial de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, afirmou que um reajuste de 5% para servidores públicos federais este ano exigiria cerca de R$ 12,6 bilhões no Orçamento de 2023, que será enviado em agosto. Segundo ele, a equipe econômica já prevê, no cenário atual, uma reserva de R$ 11,7 bilhões.

Veja o desempenho do dólar na última semana:

Os especialistas apontaram que o dólar deve continuar se valorizando nos próximos meses por conta da alta generalizada da inflação, que tende a aumentar os juros no Brasil e no mundo, além do período eleitoral que se aproxima, que costuma gerar instabilidade e volatilidade.

Tanto a inflação quanto a eleição são aspectos que reduzem a quantidade de fluxo estrangeiro no Brasil, já que os investidores internacionais costumam perder o apetite por riscos, lembra Costa. “Movimento esse que pode também reduzir a velocidade de apreciação do real [nos próximos dias]”.

*Com informações da Reuters

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