Empresas voltam a procurar jovens e oferta de vagas triplica, aponta pesquisa

Levantamento exclusivo do Nube aponta crescimento de 225% na oferta de vagas para estágio e jovem aprendiz, na comparação com 2020

Diego Mendes, da CNN, em São Paulo

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Desempregados
Fila para um feirão de empregos, no Rio de Janeiro
Foto: Mario Tama/Getty Images (5/09/2017)

As vagas para estágio e jovem aprendiz são oportunidades de entrada para os jovens no mercado de trabalho. E a pandemia, que chegou a afetar bastante as ofertas de trabalho nestas áreas, mostra sinais de recuperação.

Dados do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), realizado com exclusividade para a CNN, apontam que o número de vagas desse tipo ofertadas em junho de 2021 mais que triplicou em relação a junho do ano passado.

O aumento na comparação com o mesmo período de 2020 foi de 225% e, na comparação com junho de 2019, antes da pandemia, a alta é de 19%.

Cenário positivo

Outras instituições que trabalham especializadas em vagas de estágios e de jovens aprendizes comprovam o cenário positivo para esse público no mercado de trabalho.

Levantamento exclusivo da Taqe, plataforma online de recrutamento, mostra um aumento de 509% na oferta de vagas para jovem aprendiz nos primeiros seis meses de 2021, quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

O CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) também confirma a tendência. Dados de instituição apontam que, entre os primeiros seis meses de 2021 e de 2020, o número de contratos realizados entre empresas e estudantes aumentou 13,2% em todo o Brasil.

Os contratos de aprendizagem (menor e jovem aprendiz) cresceram 51,6% no período, e os de estágios avançaram 4,6%.

De acordo com a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, o avanço da vacinação contra a Covid-19 é uma das principais causas para o aquecimento do setor de comércio e serviços, o que gera mais empregos.

Inhasz explica que este aumento também reflete o aquecimento do mercado, mesmo que ainda tímido. Por serem vagas de aprendizagem e estágio, o custo desse profissional é mais baixo.

Isso, de acordo com ela, mostra que o mercado tenta se articular, mas ainda com fragilidade e incertezas – uma vez que são posições com salários, qualificação e nível de exigência mais baixos. Além disso, há um tempo estabelecido de contrato, diferentemente do que acontece com os profissionais em regime CLT.

Desemprego entre jovens

Segundo os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos é hoje de 31%, bem mais alta do que a média nacional, de 14,6%.

Entre as pessoas desocupadas, esse grupo etário representa 29%. A maior parcela, no primeiro trimestre de 2021, era composta de adultos entre 25 a 39 anos (34,6%).

“Os jovens, de modo geral, são pessoas que já têm uma dificuldade em acessar o mercado de trabalho, por conta da falta de experiência e a não qualificação completa”, diz a pesquisadora do IBGE, Adriana Beringuy.

“Nesse momento, além disso, há a crise atual de demanda por trabalho que está ocorrendo no mercado brasileiro. Ou seja, não há geração de ocupação que permita a absorção desses trabalhadores.”

Na comparação com o primeiro trimestre de 2020, a participação dos grupos com mais de 40 anos aumentou entre os ocupados. Nesse período, o grupo entre 40 a 59 anos passou de 41,1% para 44,1%. Já as pessoas com 60 anos ou mais passaram a representar 8,9% da população ocupada do país. No primeiro trimestre do ano passado, a fatia deles era de 8,3%.

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