Entenda como tensão no leste europeu impacta no setor energético

Rússia ameaça interromper fornecimento de gás para a Europa e aperta demanda por petróleo no mundo; no Brasil, gasolina pode chegar a R$ 8,50

Priscila Yazbekda CNN

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A escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia acendeu um alerta no setor energético – em especial, no que diz respeito ao fornecimento de gás na Europa e no preço do barril de petróleo (bdp).

Responsável por cerca de 1/3 do gás consumido na Europa, a Rússia, hoje, se encontra em uma posição estratégica, e analistas já dizem que não é impensável que o país faça um “shutdown” no fornecimento aos europeus.

Embora a medida possa trazer um prejuízo na casa de US$ 20 bilhões à estatal de energia russa Gazprom, segundo previsões de especialistas, o país ainda detém mais de US$ 600 bilhões em reservas internacionais.

Além disso, o apoio da China, ainda que velado, fornece um certo alívio à Rússia: caso o fornecimento de gás à Europa seja interrompido, é possível desviá-lo para a Ásia e, assim, não ter um impacto tão abrupto.

O caso da Europa, no entanto, já preocupa. Ao final de 2021, a escassez na oferta de gás, com aumento da demanda devido ao inverno, forneceu uma amostra do que poderia acontecer caso o fornecimento fosse interrompido, com preços em disparada.

A crise também foi intensificada por uma série de negociações envolvendo o gasoduto Nord Stream 2, que, ainda não operante, passaria a fornecer gás russo à Europa sem passar pela Ucrânia.

Em meio aos riscos de desabastecimento, a Europa vem buscando fontes alternativas de gás – e os Estados Unidos, por exemplo, já tentam negociar o fornecimento de energia ao continente por intermédio do Catar e da Argélia.

Ainda assim, o fornecimento alternativo de energia vai custar caro. Com a torneira fechada na Rússia, a demanda por energia no mundo vai ser pressionada – a incluir o preço dos barris de petróleo.

Nessa semana, o preço do bdp bateu US$ 90, o maior valor em 7 anos. Segundo previsões do banco de investimento JP Morgan, a expectativa é que o petróleo do tipo Brent, referência no mercado brasileiro, atinja a casa dos US$ 86 neste ano. Já o Morgan Stanley, também referência para o mercado, espera a commodity em US$ 96.

Caso a previsão se concretize, é possível que o preço da gasolina chegue a R$ 8,50 por aqui.

Vale ressaltar que as previsões consideram as métricas do mercado sem incluir as tensões na Ucrânia, em específico, no cálculo. Caso ocorra uma guerra em Kiev, as projeções explodem, e muitos analistas já dizem que o petróleo pode passar dos US$ 100 neste ano.

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