Entre termelétricas e nuclear, Brasil tem 20 usinas de energia em construção

No entanto, apenas uma deve ficar pronta este ano; outras quatro têm início de operações previsto para 2023

Vista de usina termelétrica em Uruguaiana (RS)
Vista de usina termelétrica em Uruguaiana (RS) 18/05/2001REUTERS/Paulo Whitaker

Stéfano Sallesda CNN

Rio de Janeiro

Ouvir notícia

O mercado espera o próximo leilão de capacidade energética, previsto para dezembro, para contratação de energia de usinas que ainda serão construídas nos próximos anos. No entanto, não será preciso esperar tanto para que o Brasil aumente sua capacidade de geração de energia: um levantamento da CNN mostra que o país tem 19 usinas termelétricas em construção e uma nuclear. Juntas, elas vão adicionar 5.080 megawatts ao Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2026.

Entre os projetos termelétricos, sete terão combustíveis fósseis como combustível, principalmente, o gás natural. Outros 12 serão alimentados por biomassa, utilizando licor negro, produto do tratamento da indústria de papel e celulose, e o bagaço de cana-de-açúcar. Cada unidade tem contrato próprio e prazo de entrega diferente das demais. O total permite abastecer uma cidade com 5 milhões de habitantes.

Presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget), Xisto Vieira Filho destaca que, atualmente, o setor despacha diariamente mais de 21 mil megawatts de energia para o país e que, sem ele, o nível atual dos reservatórios das hidrelétricas estaria em 4%. Ele defende o uso das fontes renováveis, mas entende que é necessário ter alternativas, e que a construção de usinas deste tipo demora de três a seis anos, dependendo do porte.

“O gás natural e a energia nuclear são capazes produzir mais energia que outros tipos de termelétricas em apenas uma usina. A hidrelétrica, a solar e a eólica são excelentes e têm custo baixo mas, se não tiver água, sol ou vento, não tem energia. Apresentam elevado nível de intermitência. O Brasil precisa de mais térmicas por causa disto, elas continuam despachando energia, independentemente das condições climáticas”, explica.

Ao todo, 60% da capacidade de geração de energia pelas termelétricas está concentrada no Rio de Janeiro, com o objetivo de aproveitar a produção indústria de petróleo e gás natural. O estado abriga 65% das reservas brasileiras provadas de gás natural. A usina Gás Natural do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, é a maior das previstas, com capacidade para 1.388 megawatts, e deve ser a primeira a ficar pronta. E a única para 2021.

“Eles são associados à Abraget e tudo já está em fase bem avançada, já foram realizados testes comerciais. Podem entrar em operação a qualquer momento e é provável que isto aconteça ainda esse mês. E eles têm projeto de expansão, com uma nova unidade, para 1,6 mil megawatts, prevista para 2024”, conclui Vieira Filho.

Coordenador de Relacionamento Estratégico de Petróleo, Gás e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Fernando Montera destaca a importância das termelétricas como responsáveis por atrair investimentos para os locais onde se instalam.

“Há uma grande concentração de projetos no Rio dado o potencial de expansão da produção de gás que há aqui. É um grande consumidor de gás, que pode ajudar no desenvolvimento do mercado, se alinhada com algum produtor. Por isso chamamos de projetos-âncora. Além da GNA, temos a Marlim Azul, prevista para 2023, e que também tem previsão de expansão. E temos ainda as discussões sobre o Polo Gas Lub, em Itaboraí, que podem resultar em uma nova termelétrica e em outros investimentos”, avalia Montera.

O Polo Gas Lub é o novo nome do antigo Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Está prevista para 2022 a conclusão das obras do gasoduto Rota 3, que levará gás do pré-sal para o município, que abrigará um Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN).

A Petrobras já sinalizou publicamente que avalia construir no local uma termelétrica, para aproveitamento deste gás, e uma fábrica de lubrificantes. A EPE e a Aneel listam ainda outras 30 usinas que já foram licitadas, mas que ainda não tiveram as obras iniciadas. Juntas, a previsão é que adicionem outros 4.199 megawatts de capacidade ao sistema.

Principais usinas em construção ou em obras

Os números da Abraget são um pouco diferente dos apresentados pela EPE e pela Aneel. Isto porque os dados da entidade e dos órgão federais apresentam divergências em relação aos status de algumas usinas, se as obras foram iniciadas ou não.

Até 2021: UGA I, em São João da Barra-RJ (1338,3 mil MW)

2023: Marlim Azul, em Macaé-RJ (585,5 MW); Prosperidade III, em Camaçari-BA (50,2 MW); Pecém II e Camaçari Murici, ambas em Dias d’Ávila-BA, com capacidade para 144 MW cada.

2024: GNAII, em São João da Barra-RJ (1,6 mil MW) e Parnaíba V, em Santo Antônio dos Lopes-MA (385,7 MW).

2025: Nova Venécia 2, em Santo Antônio dos Lopes-MA (92,2MW); Novo Tempo Barcarena, em Barcarena-PA (604,5 MW) e Prosperidade II, em Camaçari-BA (27,4 MW).

2026: Angra 3, em Angra dos Reis-RJ (1,4 mil MW)

Mais Recentes da CNN