Exportação de vinho brasileiro bate recorde de janeiro a setembro de 2021

Garrafas e vinho brasileira foram compradas por 63 países entre janeiro e setembro deste ano

Pedro DuranMylena Guedesda CNN

no Rio de Janeiro

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Com 6,3 milhões de litros vendidos para países do exterior ate setembro, os vinhos brasileiros bateram recorde. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume é 84% maior. A escalada nas vendas aumentou nos últimos cinco anos.

Comparando os nove primeiros meses de 2021 e 2017, a alta é de 225%. Paraguai, Haiti, Rússia, Estados Unidos e China são alguns dos 63 países compradores do vinho brasileiro neste ano.

O investimento no campo e na tecnologia tem garantido reconhecimento também dentro de casa. Na pandemia, a analista de sistemas Jaqueline de Jesus, passou a consumir mais e reconheceu a evolução. “A minha adega está sempre cheia, então eu sempre estou tomando um vinho, alguma coisa, de maneira moderada, mas eu acho que aumentou”.

A corretora de imóveis Luciana Ribeiro, mudou até a forma de comprar, conforme o aumento do consumo em casa. “Eu sempre tomei vinho, mas na pandemia eu comecei a comprar caixas de vinho”, reconhece.

A amiga, Lorita Sciamanna, que é chef de cozinha, diz que entre os amigos esse movimento se espalhou na pandemia. “A gente acaba vendo que gente que não bebia começou a beber, mas os meus amigos sempre consumiram”, afirma.

No Rio de Janeiro, a rede de supermercados Zona Sul aponta um fenômeno na mudança do padrão de consumo.

Se de 2019 para 2020 o consumo por cliente aumentou 25%, de 2020 para 2021 o valor médio gasto por consumidor subiu de R$ 49 para R$ 54. “Em 2021 os restaurantes voltaram a abrir, aqui no Rio mais cedo do que outros estados, né, então a gente já tem digamos esse concorrente de certa forma, então nós não tivemos um crescimento numérico em termos de garrafas, mas nós tivemos um crescimento de ticket médio.

Porque no momento em que, como eu falei, começa a degustar muitos vinhos e você descobre o seu paladar, o seu patamar no paladar, você acaba muitas vezes indo para um patamar mais alto de preço”, diz Dionísio Chaves, o sommelier da rede que tem 44 lojas na capital fluminense.

Antes do novo recorde, no primeiro semestre do ano, o consumo de vinhos no Brasil já tinha alcançado o mais alto nível na história. Foram 179 milhões de litros vendidos, 11% a mais do que os 161 milhões de litros comercializados internamente em 2020.

A boa safra e a explosão de vendas animaram os produtores brasileiros, mas isso também causou um problema que não estava sequer no radar: acabaram as garrafas. E aí, os produtores de vinícolas daqui tiveram que passar a importar garrafas de países com o Argentina, Chile e até do continente europeu.

E as vinícolas brasileiras passaram a fazer o vinho aqui com garrafas internacionais – o que tende a encarecer o preço final.

“Nessa demanda de vinhos, nesse crescimento, as indústrias nacionais não estavam preparadas para nos atender, com isso fez com que o ano passado deixamos de entregar pedidos por não termos garrafas e esse ano já estamos com problemas no primeiro semestre”, afirma Deunir Argenta, presidente da Uvibra.

“Vai encarecer um pouco o preço do vinho, mas ao mesmo tempo ainda assim provavelmente deixaremos de entregar vinhos por não termos os vasilhames suficientes”, completa.

A aposta da presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, Regina Vanderlinde, é que além da popularização do produto, o reconhecimento também traga a boa classificação dos rótulos nacionais com a volta das competições no pós-pandemia.

“Em todos esses concursos que o Brasil apresentou seus espumantes, seus vinhos, o Brasil recebeu medalhas, então eu sou testemunha disso porque participei de muitos concursos e agora pós-pandemia espero continuar participando como vice-presidente”, diz.

 

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