FMI corta expectativa e projeta crescimento de 0,3% para o PIB do Brasil em 2022

Instituição também reduziu as estimativas para países como China e Estados Unidos, citando fatores como a inflação e incertezas sobre a pandemia

Rodrigo Camposda Reuters

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas previsões de crescimento econômico em 2022 para a América Latina e suas duas maiores economias nesta terça-feira (25), citando a combinação de inflação, uma política monetária mais apertada e uma estimativa de crescimento mais baixa para os Estados Unidos como determinantes para os rebaixamentos.

O FMI cortou suas expectativas de crescimento para o México e o Brasil em 1,2 ponto percentual cada, para 2,8% e 0,3%, respectivamente, enquanto a estimativa para a América Latina e o Caribe foi diminuída em 0,6 ponto percentual, a 2,4%.

“A luta contra a inflação levou a uma forte resposta da política monetária, que pesará sobre a demanda doméstica”, disse o FMI sobre o Brasil em uma atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Mundial.

O Fundo disse que o México será afetado um pouco pelas mesmas forças de mercado, agravadas por uma queda esperada no crescimento da produção nos Estados Unidos, seu parceiro de negócios mais importante.

“O rebaixamento (do crescimento econômico) dos Estados Unidos traz consigo a perspectiva de uma demanda externa mais fraca do que o esperado para o México em 2022”, disse o FMI.

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A instituição também reduziu suas previsões para Estados Unidos, China e a economia global, e disse que a incerteza sobre pandemia, inflação, interrupções na oferta e aperto monetário dos EUA representam mais riscos.

“Projetamos um crescimento global neste ano em 4,4%, 0,5 ponto percentual abaixo do previsto anteriormente, principalmente por causa dos rebaixamentos para Estados Unidos e China”, escreveu Gita Gopinath, autoridade número dois do FMI.

O FMI disse que a rápida disseminação da variante Ômicron levou a novas restrições de mobilidade em muitos países e aumentou a escassez de mão de obra, enquanto as interrupções no fornecimento estão alimentando a inflação. A expectativa é que a Ômicron pese sobre a atividade econômica no primeiro trimestre, mas abrande depois, uma vez que está associada a casos menos graves, disse o FMI.

Espera-se que o crescimento global desacelere para 3,8% em 2023, ainda assim aumento de 0,2 ponto percentual em relação à previsão de outubro, disse o FMI, que, contudo, ponderou que o delta positivo é em grande parte mecânico após os atuais obstáculos ao crescimento se dissiparem no segundo semestre de 2022.

No geral, a pandemia agora deve resultar em perdas econômicas acumuladas de 13,8 trilhões de dólares até 2024, em comparação com o prognóstico anterior de 12,5 trilhões de dólares, escreveu Gopinath, antes economista-chefe do FMI.

A organização cortou sua previsão de crescimento dos EUA em 1,2 ponto percentual, devido ao fracasso do presidente norte-americano, Joe Biden, em aprovar um pacote maciço de gastos sociais e climáticos, aperto mais cedo que o esperado da política monetária do país e contínua escassez de oferta.

A economia dos EUA agora deve crescer 4% em 2022, depois de expandir 5,6% em 2021, com o crescimento diminuindo ainda mais para 2,6% em 2023, disse o FMI.

O organismo rebaixou a previsão para a economia da China em 0,8 ponto percentual, a 4,8% em 2022, após crescimento de 8,1% em 2021. Em 2023 a expansão do PIB voltaria a acelerar, indo a 5,2%.

As interrupções relacionadas à política de tolerância zero à Covid-19 da China e o estresse financeiro prolongado envolvendo as incorporadoras imobiliárias levaram ao rebaixamento, disse o FMI.

O FMI também cortou sua previsão para a zona do euro em 0,4 ponto percentual, para 3,9% em 2022, e disse que o crescimento desaceleraria para 2,5% em 2023. Índia e Japão tiveram leve melhora nas projeções para ambos.

A organização alertou que o surgimento de novas variantes da Covid-19 pode prolongar a pandemia e induzir novas interrupções às atividades, enquanto problemas na cadeia de suprimentos, volatilidade nos preços da energia e pressões salariais localizadas representam mais riscos.

O fundo revisou para cima suas previsões de inflação para 2022 para economias avançadas e em desenvolvimento e disse que elevadas pressões de preços provavelmente persistirão por mais tempo do que o previsto anteriormente, devido às interrupções contínuas da cadeia de suprimentos e aos altos custos de energia.

A instituição disse que a inflação deve atingir uma média de 3,9% nas economias avançadas e 5,9% nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento em 2022, antes de diminuir em 2023, com crescimento moderado dos preços de combustíveis e alimentos durante esse período.

Embora as economias continuem a se recuperar do choque da pandemia, o ritmo das recuperações está divergindo amplamente entre países ricos e mais pobres, disse o FMI.

Enquanto as economias avançadas devem retornar à tendência pré-pandemia neste ano, vários mercados emergentes e economias em desenvolvimento enfrentam perdas de produção consideráveis, disse o FMI.

Mais setenta milhões de pessoas viviam em extrema pobreza após a pandemia, retardando o progresso na redução da pobreza em vários anos, escreveu Gopinath em seu blog.

O FMI disse ser fundamental garantir o acesso mundial a vacinas, testes e tratamentos para reduzir o risco de outras variantes perigosas da Covid-19, enquanto muitos países precisam aumentar as taxas de juros para conter as pressões inflacionárias.

Gopinath observou que 60% dos países de baixa renda já estavam em alto risco de excesso de endividamento e instou o Grupo dos 20 (G20) a acelerar processos de reestruturação da dívida e suspender pagamentos do serviço da dívida enquanto as reestruturações estejam sendo negociadas.

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