Governo espera concluir capitalização da Eletrobras em 15 dias

Com o registro feito nesta sexta-feira pela direção da Eletrobras, a operação entra em uma reta final, mas ainda não definitiva, até que o martelo seja batido na bolsa de valores

Início das negociações de venda na bolsa de valores está previsto para o dia 13 de junho
Início das negociações de venda na bolsa de valores está previsto para o dia 13 de junho Foto: Divulgação

Thais Herédiada CNN

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O governo federal espera concluir a capitalização da Eletrobras em até 15 dias, depois que a companhia registrou pedido de oferta de ações nas agências reguladoras do Brasil e dos Estados Unidos. Fontes ouvidas pela CNN confirmaram que o processo pode ser mais rápido porque o mercado já está preparado para participar da operação.

Com a venda de mais de 627 milhões de ações, a Eletrobras deixará de ter a União como sócia majoritária, movimentando mais de R$ 30 bilhões no mercado de capitais. Pelo cronograma previsto no fato relevante publicado pela companhia, entre 2 e 8 de junho os interessados poderão fazer reserva de ações. A definição do preço por ação será no dia 9 do mês que vem.

O início das negociações de venda na bolsa de valores está previsto para o dia 13 de junho, segundo documento da Eletrobras. Diante do embate político em torno da privatização, o risco de acontecerem surpresas até lá não são pequenos e quem está acompanhando de perto no governo sabe disso. “O jogo só acaba quando o juiz apitar”, disse uma fonte à coluna.

A judicialização é dada como certa por especialistas de mercado e ela pode ser acionada por várias frentes, inclusive por consumidores. Na maioria das grandes privatizações que aconteceram desde o final dos anos 90, houve protesto e muitas tentativas de inviabilizar o negócio. Até mesmo a própria Eletrobras teve a venda das subsidiárias suspensa no governo Fernando Henrique Cardoso por causa dos protestos políticos.

Depois disso, apenas em 2018 a possibilidade de tirar o governo federal do controle da companhia passou a ter chances reais de acontecer. A Eletrobras pagou preço altíssimo por ter sido obrigada pelo governo a participar da mudança no setor elétrico promovida pela MP 579, do governo de Dilma Rousseff.

A medida forçava redução da tarifa de energia e fez a empresa acumular prejuízos bilionários. Entre 2016 e o início de 2021, a Eletrobras passou por uma reestruturação completa sob a gestão de Wilson Ferreira Jr, hoje CEO da Vibra. O executivo teve autorização para vender as distribuidoras da estatal e sanar as contas da empresa, mas não foi o suficiente para permitir alavancagem dos investimentos.

A formulação do modelo de capitalização aprovado pelo Congresso Nacional não escapou dos jabutis da política, como a obrigação de contratação de energia de termelétricas que nem existem ainda, e um julgamento tumultuado no Tribunal de Contas da União que atrasou a oferta das ações. O custo imposto pelos jabutis ainda é incerto, mas pode passar dos R$ 50 bilhões e recair sobre os consumidores.

Com o registro feito nesta sexta-feira (27) pela direção da Eletrobras, a operação entra numa reta final, mas ainda não definitiva, até que o martelo seja batido na bolsa de valores.

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