IBGE reitera que precisa de mais R$ 300 milhões para garantir o Censo de 2022

Ministério da Economia assegurou apenas R$ 2 bilhões para a realização da consulta

Ação do estado do Maranhão pede que a União assegure os R$ 2,3 bilhões necessários para o censo
Ação do estado do Maranhão pede que a União assegure os R$ 2,3 bilhões necessários para o censo Tânia Rêgo/Agência Brasil

Stéfano SallesThayana Araújoda CNN

no Rio de Janeiro

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Em busca de mais R$ 300 milhões para garantir a realização do Censo em 2022, orçado em R$ 2,3 bilhões, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enviou a previsão de custos da consulta à Procuradoria Geral Federal, órgão da Advocacia Geral da União (AGU). A medida atende a uma exigência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Atualmente, o Ministério da Economia garantiu R$ 2 bilhões para a realização da consulta, no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).

No entanto, uma ação do estado do Maranhão contesta e pede que a União assegure os R$ 2,3 bilhões necessários. A disputa é, portanto, de uma diferença de cerca de R$ 300 milhões.

O instituto encaminhou uma nota técnica à AGU, e reiterou a importância do valor para o Censo. Procurado, o instituto respondeu: “o IBGE espera que o Executivo e o Legislativo, em conjunto, garantam os recursos necessários para cumprir sua missão institucional de realizar o Censo em 2022, conforme determinado pelo Judiciário”.

Ex-presidente do IBGE e professor da PUC-Rio, o economista Sérgio Bessermann destaca que o atraso na realização do Censo já impacta a realização de políticas públicas no pais e afeta a eficiência e a eficácia de todas as outras consultas conduzidas, sejam elas realizadas pelo governo ou pela iniciativa privada.

“O 21 é conhecido como o século da informação e do conhecimento, da produtividade. Isso afeta a renda, as oportunidades de emprego e os cidadãos precisam fazer escolhas, para as quais não podem abrir mão do acesso à informação. O Censo é o único momento em que as pesquisas vão a territórios menores, setores censitários com 300 domicílios, para recolher informações que não são buscadas pelo governo em nenhum outro momento”, explica.

Besserman destaca que a pesquisa auxilia os governos a conhecerem as demandas da população, mas auxiliam também no processo de formação de novos negócios.

“É necessário conhecer as demandas e carências de cada área. Isso embasa políticas educacionais, de saúde, de transporte e de segurança. E são dados que a iniciativa privada utiliza para mensurar necessidades a partir de perfis regionais. Um Censo de 12 anos atrás ele não está apenas atrasado e defasado, como é completamente anacrônico. O governo não deveria questionar e fazer o instituto perder tempo com isso. Deveria garantir recursos para a realização de um Censo padrão IBGE de excelência”, afirma o economista.

Entre 6 e 24 de setembro, o IBGE realizou um teste para o Censo de 2022. O evento ocorreu na Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

O bairro tem cerca de cinco mil habitantes e aproximadamente 1,3 mil domicílios, e foi escolhido por ter sido alvo de um programa de vacinação em massa conduzido pela Prefeitura do Rio e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Quando o teste teve início, a ilha já apresentava mais de 85% de sua população fixa vacinada com as duas doses da vacina da AstraZeneca.

A iniciativa contou com 16 recenseadores, que testaram dispositivos móveis de coleta, semelhantes a smartphones e utilizaram equipamentos de proteção individual, como máscaras e escudos faciais.

O Censo ocorre a cada dez anos e seria realizado em 2020, mas acabou adiado por causa da pandemia de Covid-19, e os recursos a ele destinado foram direcionados para o enfrentamento da doença. Para 2021, a consulta foi suspensa por falta de recursos.

Réu na ação, representando a União, o Ministério da Economia não respondeu aos questionamentos enviados pela CNN até o momento.

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