Impostos impedem preços mais baixos na Black Friday

Tributos que incidem sobre alguns dos itens mais cobiçados podem passar de 70%

Fernanda PinottiPedro Duranda CNN

Em São Paulo e no Rio de Janeiro

Ouvir notícia

Mesmo com as promoções da Black Friday, alguns produtos continuam com os preços altos por conta dos impostos que incidem sobre eles.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), os impostos podem representar mais de 70% do preço dos itens mais tributados. Na compra de smartphones, eles são responsáveis por 68% do preço, enquanto nos videogames a fatia passa para 72%.

O produto mais afetado pela tributação são os perfumes importados. Durante a compra, 79% do preço fica com o governo.

Lista de tributos

O advogado tributarista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Gabriel Quintanilha lista os impostos que incidem sobre os produtos: “No Brasil, temos sobre um produto a incidência de ICMS, que é o imposto estadual, IPI, se for um produto industrializado.”

“Ainda temos, pela pessoa jurídica, a cobrança de PIS e Cofins sobre o faturamento, CSLL sobre o lucro líquido, e imposto de renda sobre a renda”, explicou. Para os produtos importados, a lista é ainda maior.

Encarecimento dificulta consumo

A expectativa do comércio é de que as vendas em 2021 sejam ainda maiores do que anos anteriores. A aposta é de que o Natal e a Black Friday de 2021 possam ajudar a recuperar parte das perdas da pandemia.

O encarecimento dos produtos por conta da tributação, no entanto, dificulta o consumo. Enquanto isso, a Reforma Tributária continua empacada no Congresso Nacional, com duas propostas principais para simplificar os impostos e diminuir parte da burocracia.

Para Gabriel Quintanilha, essas reformas não reduzem a arrecadação necessariamente. “É possível reduzir a quantidade de tributos incidentes sobre uma mesma operação, para que haja a incidência de um único tributo, mantendo a arrecadação. Isso por si só já simplifica o sistema e barateia o recolhimento do tributo.”

Mais Recentes da CNN