Incêndios florestais no Brasil causaram prejuízo de R$ 1,1 bilhão em seis anos

Dados são da pesquisa divulgada, nesta sexta-feira (19), pela Confederação Nacional de Municípios (CNM)

Fumaça de incêndio na Floresta Amazônica perto de Porto Velho
Fumaça de incêndio na Floresta Amazônica perto de Porto Velho 10/9/2019 REUTERS/Bruno Kelly

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

Ouvir notícia

Além de perdas humanas e danos ambientais, as queimadas e os incêndios florestais no Brasil causaram, nos últimos seis anos, prejuízos superiores a R$ 1,1 bilhão aos cofres públicos do país. Os dados são da pesquisa divulgada, nesta sexta-feira (19), pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Para contenção de situações de incêndio, o gasto principal do governo são as aquisições de equipamentos, como mangueiras, abafadores, vestimentas de proteção. Além disso, temos a contratação de brigadistas, que precisam ficar de prontidão para apagar os incêndios. Também não podemos esquecer o prejuízo a vários setores econômicos que são impactados indiretamente, como a agropecuária”, afirmou o ambientalista, Sérgio Ricardo.

De acordo com o levantamento, Mato Grosso do Sul foi o estado que teve maior prejuízo com os incêndios entre 2016 e 2021. No período, a região acumulou 46% do total das despesas nacionais geradas por queimadas. Em segundo aparece o Estado do Mato Grosso, com R$ 304,2 milhões em prejuízos – o que corresponde a 26,2% de todos os prejuízos no país. Em terceiro vem Minas Gerais, com R$ 107,8 milhões.

Os focos de incêndios podem acontecer de forma natural, devido à queda de raios ou temperaturas elevadas, ou artificial, causada pela ação humana. As queimadas geradas pelos homens costumam acontecer com o intuito de criar espaço para pastos ou áreas de agricultura. Além disso, as queimadas podem ser iniciadas por atos negligentes, como o descarte incorreto de bitucas de cigarro.

Em contrapartida, a CNM afirma que o governo federal investiu R$ 376,2 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios e queimadas nos últimos seis anos. O valor representa apenas 32% da verba necessária para cobrir todas as despesas geradas por queimadas no Brasil.

A CNM afirma que os dados sobre os investimentos feitos pela União no período foram fornecidos pelo próprio Ministério do Meio Ambiente. A CNN procurou o governo federal para saber quando e se pretende aumentar a verba para cobrir as despesas geradas pelas queimadas e aguarda retorno.

Regiões mais afetadas pelas queimadas

O estudo detalha que a região Amazônica foi a mais atingida pelos incêndios entre 2016 e 2021. Segundo a CNM, o bioma sofreu 47,1% das queimadas no período, seguido pelo Cerrado com 31,8% e a Mata Atlântica com 8,9%. Em valores absolutos, a Amazônia soma 518.997 registros e o Cerrado, 350.064.

O Estado do Pará foi o que apresentou o maior número de queimadas, com 191 mil ocorrências – o que corresponde a 16,3% do total de focos de incêndio no país. Em segundo lugar aprece o Mato Grosso do Sul, com o equivalente a 11,1% das queimadas. Em terceiro, o Maranhão, com 115.607, correspondendo a 9,8%.

Perdas humanas

O levantamento também mostra que as perdas humanas apresentaram números expressivos nos últimos seis anos, por conta das queimadas. Somente neste período, foram 12 mortos, 17 feridos e 4,7 mil desalojados por conta dos incêndios.

“Os incêndios florestais, além de queimarem lavouras, pastos e áreas naturais, podem atingir casas, galpões, armazéns e instalações rurais, como celeiros, galinheiros, viveiros, chiqueiros, currais etc. e causar direta e indiretamente muitos danos humanos, como: mortes, queimaduras, problemas respiratórios ao inalar a fumaça tóxica, entre outros”, destaca um trecho da pesquisa.

Mais Recentes da CNN