Investimentos em startups podem movimentar US$ 29 bilhões no Brasil em 2022

Fintechs, biotechs e companhias que operam em blockchain serão os destaques do ano, dizem analistas

Startups receberam US$ 9,4 bilhões em 2021
Startups receberam US$ 9,4 bilhões em 2021 Getty Images

Artur Nicocelido CNN Brasil Business

São Paulo

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Apesar dos impactos da pandemia, as startups tiveram um último ano eufórico, marcado por 10 companhias alcançando avaliação de US$ 1 bilhão — os novos unicórnios –, e quebra de recordes em investimentos de risco. O Brasil registrou cerca de US$ 10 bilhões em aportes.

E 2022 está caminhando para se consagrar no mesmo ritmo, segundo especialistas ouvidos pelo CNN Brasil Business.

A Sling Hub projetou que se as startups brasileiras repetirem o mesmo crescimento apresentado no ano passado, é possível que fechem este ano com um volume investido de US$ 29,4 bilhões.

“Sendo menos otimista, podemos imaginar que o mercado cresça apenas metade do que cresceu no período anterior, ainda assim terminaríamos o ano com um total captado maior que 2021, de US$ 19,7 bilhões”, afirma João Ventura, CEO da Sling Hub.

Companhias que operam em blockchain e biotech, modelo de negócio que visa a utilização de seres vivos (células e moléculas, por exemplo) para desenvolver produtos para o setor agrícola, farmacêutico e alimentício, estão entre as favoritas dos especialistas.

Beatriz de Orleans e Bragança, analista de investimentos da Fuse Capital, diz que o Brasil experimentou um “crescimento inigualável” no setor de biotech, “muito devido à maturidade científica”.

Para ela, ajuda o fato de o Brasil ter uma das maiores populações do mundo. Além disso, a previsão é que, em 2028, o país deve gastar em saúde cerca de US$ 333,1 bilhões, ficando entre os 10 maiores do mercado, e deve ocupar a sexta posição no mercado farmacêutico mundial, movimentando em torno de US$ 39 bilhões, em 2023.

Já Camila Nasser, CEO do Kria, acredita que esta é a vez dos blockchains, NFTs e criptomoedas. “Cada vez mais os nichos tradicionais vão dar espaço para segmentos diferentes”.

Ela afirma que falar de cripto não é falar de bitcoin, mas de blockchain, da descentralização e desintermediação das infraestruturas, “de toda uma evolução nas tecnologias e ferramentas que temos hoje”.

“Então, a gama de soluções para esse novo ecossistema é gigantesca. Estamos falando de uma nova forma de interagir e consumir a tecnologia. NFT pode ser moda ou pode ter chegado para ficar, o tempo que vai dizer. Mas a tecnologia por trás dela, não”.

Julian Tonioli, investidor-anjo e sócio da Auddas, também concorda com Camila. Ele diz que novas tecnologias vão acelerar as oportunidades de investimentos, “principalmente com o advento do 5G, que impulsionará as tecnologias de realidade aumentada, virtualização, e metaverso”.

“Também acredito em um aumento no investimento relacionado ao que se conhece como ‘DeFi’, que é a digitalização e a decentralização do sistema financeiro, apoiando-se em tecnologias como criptomoedas e tokens”.

Por outro lado, Gustavo Gierun, CEO e cofundador do Distrito, diz que “historicamente, o setor de fintechs lidera tanto em número de transações quanto em volume investido. A distância para os demais setores ainda é muito relevante e é improvável que algum outro mercado possa assumir esta posição”.

De acordo com a Sling Hub, o setor de fintechs é o mais financiado desde 2019. No ano passado, arrecadaram US$ 3,8 bilhões, quase 40% do montante total do ano, e 153% mais alto que 2020.

Gierun diz ainda que os recursos que serão investidos nos próximos 12 a 18 meses já foram captados pelos fundos em 2020 e 2021, “assim, os investidores de venture capital buscam capturar tendências e movimentos de mercado de longo prazo. Por isso são menos sensíveis à conjuntura político-econômica”.

Um apressão negativa para o setor pode vir do atual ciclo de alta dos juros, alerta a analista de investimentos da Fuse Capital. “Em um ambiente macroeconômico menos favorável – aumento de juros e possível recessão – o cenário de venture capital pode ficar mais desafiador. Mas não no curto prazo”.

2021

Beatriz afirma também que a pandemia impulsionou muitos negócios e muitas pessoas a ingressarem no mundo digital, o que ajudou o mercado de startups. “Seja usando serviços de entrega a domicílio, telemedicina, ou o próprio Pix”.

“Esse efeito combinado a um cenário favorável de juros e grande interesse em tecnologia, atraiu muita liquidez a um mercado [brasileiro] que era anteriormente travado, se comparado a outras regiões do mundo”.

Um levantamento da Sling Hub apontou ainda que, contra 2020, o ano anterior teve um crescimento de quase 200% no volume de investimentos direcionados às startups brasileiras. O tamanho médio das rodadas foi de US$ 13,7 milhões, alta de 150% no comparativo ano a ano.

Ao todo, foram 760 rodadas de investimentos, sendo que 393 startups brasileiras foram financiadas pela primeira vez em 2021. As empresas que viraram unicórnios foram: MadeiraMadeira, Mercado Bitcoin, Unico, Facily, C6 Bank, Olist, cloudwalk, hotmart, merama, frete.com.

Segundo o Distrito, no Brasil, o total de investimento recebido em 2021 pelas startups foi de US$ 9,4 bilhões.

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