Juros devem voltar a cair só depois das eleições, diz especialista

Sócio de gestora de investimentos relaciona alta dos juros ao processo democrático, que acaba funcionando como ponto de incerteza para o mercado

Raphael CoracciniVinícius Tadeuda CNN

Em São Paulo

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Depois de chegar a 9,25% na última reunião do Copom, a taxa básica de juros deve romper com sobras a marca dos 10% em fevereiro do ano que vem, como já antecipou o Banco Central em ata. Com a possibilidade de haver ainda novas altas em 2022, os juros podem voltar a cair só depois das eleições.

A avaliação é do sócio e fundador da Fatorial Investimentos, Jansen Costa, que falou à CNN na manhã desta quinta-feira (9) sobre as perspectivas relacionadas às taxas de juros, que saíram de 2% no começo do ano para quase dois dígitos.

Costa relaciona a subida dos juros ao processo democrático das eleições, que acaba funcionando como um ponto de incerteza para o mercado. “Eleição gera bastante dúvida, os agentes não sabem o que pode acontecer, eles exigem mais prêmio e (isso gera) a pressão sobre a taxa de juros”, justifica.

Questionado sobre um eventual exagero do Banco Central na subida dos juros, ele reforça que a instituição busca atender a demanda do mercado. “O remédio amargo dos juros é para ancorar as expectativas do mercado”, afirma. “É importante dar um tom mais duro para mostrar a convergência com as expectativas”, diz.

Apesar de mencionar a intenção do Banco Central de controlar a inflação, Costa reconhece que a alta dos preços tem a participação de fatores internacionais, e, por isso, foge do controle da instituição. “A inflação é um aspecto também global, o Brasil não consegue muito controlar a influência externa”.

A redução da inflação passa pela valorização do real diante do dólar e da redução dos preços das commodities no mundo, diz o especialista em investimentos.

“Se a gente olhar para o último IPCA, o componente transporte subiu bastante”, explica Costa ao mencionar o peso do combustível no custo de vida, e avalia que a queda da inflação está relacionada aos preços internacionais do petróleo. “Dependemos bastante de ele nos ajudar”, completa.

Ele reconhece também que os juros dificultam uma retomada do crescimento e agravam um quadro de esfriamento da economia e de problemas sociais graves, como a miséria e a fome.

A saída, segundo Costa, é recorrer a mecanismos que possam contornar o aumento dos juros. Ele aponta as privatizações e a atração de investimentos estrangeiros como possíveis soluções.

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