Latam Airlines apresenta plano de reestruturação para sair de recuperação judicial

Prazo para a companhia apresentar plano de reestruturação da sua dívida de 18 US$ bilhões terminou na sexta-feira (26); Latam Airlines é a holding que controla a Latam Brasil e tem sede no Chile

Priscila Yazbekda CNN

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Terminou nesta sexta-feira (26) o prazo para a Latam apresentar um plano de reestruturação da sua dívida de 18 US$ bilhões. A Latam Airlines é a holding que controla a Latam Brasil e tem sede no Chile.

A companhia entrou no capítulo 11 – ou chapter 11 – em maio do ano passado, na justiça dos Estados Unidos.

O processo é muito parecido com o plano de recuperação judicial conhecido no Brasil: quando uma empresa endividada entra no chapter 11, ela ganha condições especiais para negociar suas dívidas com os credores. Trata-se de uma tentativa de recuperar a empresa para evitar que ela vá à falência.

O advogado Felipe Bonsenso, especialista em direito aeronáutico, explica que, ao entregar o plano na sexta, a Latam segue cumprindo os compromissos previstos pelo chapter 11, diminuindo a chance de ofertas de compra.

Vale ressaltar que a Azul é a principal interessada em comprar a Latam hoje.

Com os atuais gestores seguindo o plano de recuperação da empresa, não tem por que os credores não seguirem o rito previsto e aceitarem uma proposta de fora, segundo Bonsenso.

O especialista falou também que, com a apresentação plano, a Latam ganha fôlego com os credores e dá um passo importante para sua recuperação, mesmo num cenário muito incerto e com essa nova variante da Covid-19 surgindo.

Para André Castelini, da consultoria Bain & Company, o mercado ganha com a TAM se mantendo independente e com uma fusão com a Azul ficando mais distante.

Isso porque a concorrência é maior com três grandes players no mercado: TEM, Azul e Gol, explica. Castelini diz ainda que, apesar do chapter 11, a Latam Brasil tem sustentado uma boa escala por aqui, boas rotas, por isso é bom para os consumidores que ela siga no mercado.

Mas ele pondera que, se a Latam não tivesse operando bem, a compra pela Azul poderia ser uma solução para a empresa ficar mais eficiente. Ele lembra que, nos anos 2000 a 2010, o país viveu um duopólio de TAM e Gol, com a saída de algumas companhias do mercado, e mesmo assim foi um dos períodos em que os voos mais se popularizaram no Brasil.

Mas, claro que quanto mais players eficientes, maior a concorrência e melhor para o consumidor final.

Vale dizer que o plano da Latam ainda precisa ser aprovado pela justiça americana até janeiro e pelos credores até março de 2022. Então, ainda tem água para rolar.

Publicado por Ligia Tuon

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