Líderes empresariais preparados para mudanças são minoria no Brasil, diz pesquisa

Levantamento indicou que líderes mais jovens se sentem mais preparados para enfrentar aceleração tecnológica

Dentre os entrevistados, 7% não sabem o que ocorrerá com seus negócios no futuro
Dentre os entrevistados, 7% não sabem o que ocorrerá com seus negócios no futuro Unsplash/Jason Goodman

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Um levantamento da empresa StartSe com mais de 2.000 líderes de empresas do Brasil mostrou que apenas 16% deles estão confiantes com sua preparação para enfrentar os novos desafios do mercado.

Entre os desafios, estão a aproximação com startups e a adaptação às mudanças tecnológicas em seus setores.

A pesquisa contou com questões para avaliar o nível de maturidade dos líderes, que também se autoavaliaram. Segundo Júnior Borneli, diretor-presidente da StartSe, os resultados foram semelhantes em ambos os casos.

“Existem diferenças significativas das startups para as empresas grandes. Os líderes das companhias com até 10 anos se consideram mais maduros para se aproximar e se relacionar com startups do que os de empresas mais velhas”, afirma.

Além disso, o levantamento mostrou que quanto mais jovem o líder, mais ele se vê como preparado.

Para Borneli, isso se relaciona a um problema que as empresas antigas enfrentam, já que, em geral, realizam os mesmos processos há muitos anos ou são empresas familiares que enfrentam diferenças geracionais.

Nesses casos, as startups são vistas como ameaças. A relação com elas está ligada a uma necessidade de enfrentar uma aceleração tecnológica e suas consequências, mas um quarto dos entrevistados não está preparado para enfrentar esse desafio.

Cerca de 59% se consideram moderadamente preparados, e apenas 16% estão totalmente confiantes. Entre os líderes, 37% dizem que a maturidade para executar ações envolvendo startups em suas empresas é baixa ou muito baixa, e 21% afirmaram que não possuem iniciativas do tipo.

“A gente acredita que esse processo é de transformação cultural, e passa pela cultura da inovação. A gente foi programado para encontrar uma maneira de fazer algo e ir repetindo, e quando chega em um mundo muito volátil, tem necessidade mais constante de mudança”, diz Borneli.

Entre as perguntas usadas para avaliar a maturidade dos líderes empresariais estão a clareza do propósito da empresa, se existem mecanismos para acompanhar tendências e novos mecanismos de mercado, se a empresa investiga e adota novas tecnologias e se a estratégia consegue se adaptar à instabilidade do mercado.

Para Borneli, é importante que os líderes busquem processos de educação contínua, que vão desde a faculdade ou uma pós-graduação até buscas por tendências, novos insights e informações, o que ajuda a antecipar movimentos que favorecerão a empresa.

A pesquisa também indicou que a maioria dos líderes ainda enxerga o processo de transformação digital como algo que é feito e deixado de lado, quando, na verdade, ela envolve uma mudança constante, com o acompanhamento de ciclos de mudança que, para Borneli, estão “cada vez mais curtos e intensos”.

Os entrevistados também foram perguntados sobre a visão da relevância do modelo de negócio de suas empresas.

Para 55% dos líderes, o modelo tende a se tornar mais relevante que atualmente, com 15% acreditando que a relevância se manterá e 17% que ela diminuirá. Para 7%, não é possível saber o que ocorrerá com seus negócios no futuro.

“As empresas mais jovens entendem que o que importa não é o como faz, mas o valor que gera. As empresas mais antigas estão presas na forma, e aí não conseguem lidar com as possibilidades, tendências que vão surgindo. Essa descrença com a mudança faz com que empresas mais velhas entendam que o modelo vai continuar relevante, e as mais jovens acham que não é definitivo, pode ir mudando, evoluindo”, afirma Borneli.

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